Mensalão: STF expede 12 mandados de prisão
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sábado, 16 de novembro de 2013
Das Agências 
Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) expediu ontem 12 mandados de prisão contra condenados no processo do mensalão. O ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino estão nesta primeira leva. Entre os 12 também estão o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o operador do esquema, Marcos Valério. Os mandados foram enviados à Polícia Federal por volta das 16 horas.
O presidente do STF, Joaquim Barbosa, já certificou o chamado trânsito em julgado - fim efetivo do processo - para 16 condenados, e, até o fechamento da edição, ainda existia a possibilidade de outros mandados serem expedidos.
O ex-presidente do PT José Genoino se entregou à polícia na tarde de ontem. Ele entrou na superintendência da PF em São Paulo pela porta da frente, acompanhado da mulher, Rioco Kayano, e do advogado. Diversos amigos e militantes do PT estavam em frente ao prédio e gritaram mensagem de apoio ao petista: "Viva Genoino". Genoino, já dentro da superintendência, também gritou: "Viva o PT".
Ainda em casa, o ex-presidente do PT havia consolado a filha mais velha, Miruna, que estava chorando. "Fui em cana, cela fechada, sem banho de sol, torturado e estou aqui, de novo com o espírito dos anos 70", disse. Aos amigos, também em casa antes de se entregar, comparou essa ocasião a de outra prisão. "Na ditadura, em cinco anos eu fui preso, torturado, julgado, condenado e cumpri a pena. Agora, estou há oito anos esperando", afirmou.
No início da tarde de ontem, o ex-presidente do PT tinha divulgado uma nota oficial na qual reitera ser inocente e diz considerar-se um "preso político". Genoino foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão pela participação no esquema do mensalão e deverá cumprir parte da pena em regime semiaberto.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu chegou à PF de São Paulo no início da noite de ontem. Ele chegou acompanhado do advogado e do petista Breno Altman. Não falou com a imprensa, apenas ergueu o punho e bateu no peito. Ele foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e a 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha.
À tarde, Dirceu também havia divulgado nota oficial. Ele disse que "ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular essa sentença espúria". "Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania", afirmou.
O petista afirmou ainda que o julgamento "permanece sob o signo da exceção" e que "a pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça". "É público e consta nos autos que fui condenado sem provas", escreveu Dirceu. Segundo ele, sua condenação se deu por "cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna". "Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites", diz a nota do ex-ministro.


