Mensalão respinga nas eleições do Paraná
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sábado, 28 de julho de 2012
José Lazaro Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Às vésperas do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o prefeito de Jandaia do Sul (Norte do Paraná), José Borba (PP), foi obrigado a mexer na chapa que tinha montado para garantir a continuidade da administração. O Ministério Público (MP) pediu a impugnação da candidatura do seu sobrinho e secretário municipal de Governo, Haroldo Miller Borba dos Santos (PSD), por ele não ter se desincompatibilizado do cargo para disputar a prefeitura.
Para não ter problemas, Miller renunciou à candidatura antes da análise do processo e foi prontamente substituído por Dejair Valério, o ''Carneiro da Metafa'' (PTC), atual vice-prefeito do município, que entregou a documentação à Justiça no último dia 24. ''O Borba, o Miller e eu somos o tripé que sustenta a prefeitura, tanto faz um ser candidato ou o outro. É difícil falar como será a campanha com a alteração de última hora, mas o Borba tem uma aprovação de 83%'', simplifica Carneiro, citando uma pesquisa interna.
O próprio José Borba não arriscou tentar a reeleição. Ele é um dos 38 réus do ''Mensalão'', como ficou conhecida a suposta distribuição de dinheiro a parlamentares da base aliada do governo Lula no Congresso, para garantir votações favoráveis a projetos do Planalto na Câmara dos Deputados. A denúncia veio à tona em 2005, após declarações do deputado federal Roberto Jefferson (PTB), e ganhou fôlego com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, cuja apuração subsidiou a denúncia feita à Justiça pelo Ministério Público Federal. Na época, o prefeito de Jandaia do Sul exercia o mandato de deputado federal pelo Paraná e estava filiado ao PMDB. Borba era um dos coordenadores da bancada.
Ele é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo MPF, com base em declarações da secretária do publicitário Marcos Valério, Fernanda Somaggio, que disse ter havido reuniões entre os dois, e por conta de um vídeo que mostra Borba na agência do Banco Rural em Brasília, no dia 3 de dezembro de 2003, mesma data em que foram sacados R$ 200 mil da conta mantida pela agência SMPB, de Valério. A denúncia alega que estes saques em dinheiro vivo eram destinados à compra de votos dos deputados federais. Na época, chegou-se a dizer que Borba era a ligação do mensalão com o PMDB, hoje o maior partido de sustentação da administração Dilma em Brasília.
Em sua defesa, Borba nega ambas as acusações. Os advogados do prefeito argumentam que tanto Marcos Valério quanto Fernanda Somaggio deram informações desencontradas em seus depoimentos, especialmente sobre os valores milionários supostamente repassados ao ex-deputado federal. Dizem que não há recibo dos R$ 200 mil, nem outra prova material que comprove o crime de lavagem de dinheiro. Sobre a denúncia de corrupção passiva, os advogados de defesa repetem o raciocínio: o ''MPF não descreve nenhum comportamento do Sr. José Borba que possa ser enquadrado como ato de ofício visado pela ação supostamente corruptora que teria sido exercida sobre ele''. Em miúdos, Borba diz que votava com o governo por ser da base de apoio.
Em dezembro de 2005, Borba renunciou ao mandato de deputado antecipando-se aos rumores de cassação. Tentou voltar à Câmara Federal pelo PMDB no ano seguinte, mas a legenda negou-lhe a vaga nas eleições, dizendo que ele não participou da convenção partidária. O político então muda para o Partido Progressista (PP) e vence as eleições para a Prefeitura de Jandaia do Sul em 2008, com 5.516 votos, 43% dos válidos. A cidade fica no Vale do Ivaí e tem perto de 20 mil habitantes.
Só que em fevereiro deste ano o STF julgou constitucional a Lei da Ficha Limpa, incluindo nela os políticos que renunciaram aos seus mandatos para não sofrerem processos de cassação. A regra inclui José Borba. Carneiro, o candidato do grupo político à sucessão, afirmou para a reportagem que o mensalão não é um assunto que desperta a atenção em Jandaia do Sul. ''Não foi em 2008 e não vejo como um problema agora. Vamos cuidar da campanha, que começa para valer na semana que vem, com o material de divulgação novo'', disse.
De 2008 para cá, o noticiário não parou. Além do sobrinho, o prefeito nomeou a irmã Omirde Borba dos Santos para a secretaria de Educação. Também conseguiu a façanha de receber R$ 18,5 milhões do Ministério do Turismo em convênios com o município, acima do que foi repassado a polos turísticos como Ouro Preto (MG) e Porto Seguro (BA) no mesmo período. ''Eu estava folgado na vice-prefeitura, tive como assumir a candidatura. O Borba disse que era melhor o Miller continuar na administração'', explicou Carneiro.


