Mensalão pode resgatar credibilidade do STF
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sábado, 25 de agosto de 2007
Fausto Macedo<br>Agência Estado 
São Paulo - Diante de seu maior desafio - o processo do mensalão -, desde que absolveu o ex-presidente Fernando Collor, há 13 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem oportunidade de resgatar parte da credibilidade do Judiciário e da própria corte. Essa é a avaliação de juristas, advogados, magistrados, procuradores e entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que acompanham de perto os trabalhos do STF. ''A imagem do Judiciário está em jogo, a sociedade está numa expectativa muito grande'', diz Walter Nunes, presidente da Associação dos Juízes Federais. (Ajufe).
O julgamento, histórico porque é o maior de todos já submetido à instância máxima da Justiça, pode abrir caminho para o STF se descolar de símbolos que frequentemente lhe são atribuídos, como o da impunidade e o da indulgência. O STF nunca condenou seus réus, detentores do foro privilegiado porque ocupantes de cargos públicos.
Os ministros ainda estão apreciando apenas a admissibilidade de recebimento da denúncia contra os 40 acusados do mensalão - o julgamento de mérito, ou seja, eventual condenação pode ficar para daqui a 5 anos, pelo menos. ''A corrupção e a impunidade estão levando a população a um descrédito na ação política e nas instituições'', adverte d. Geraldo Lyrio Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. ''A Igreja tem grande expectativa em que os princípios éticos prevaleçam.''
D. Geraldo manifestou-se sobre a batalha do mensalão na última quarta-feira (22), quando os ministros do STF começaram a decidir sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República, peça de 136 páginas e anexos que acusa formalmente políticos, empresários, advogados e publicitários como operadores de um negócio de R$ 55 milhões.
O presidente da CNBB alertou que ''o momento atual está colocando em xeque a credibilidade do próprio País''. Ele reiterou os termos da nota Democracia e Ética, subscrita pelos bispos do Conselho Permanente da entidade e divulgada em junho. ''Estamos perplexos. São frequentes as denúncias de corrupção em várias instâncias dos três Poderes. Cresce a indignação ética diante da violação de valores fundamentais.''
O documento da CNBB invoca Isaías, o profeta, e Paulo, o apóstolo. ''A ambição desmedida de riqueza e de poder leva à corrupção. A denúncia do profeta Isaías vale também hoje: ''Eles gostam de subornos, correm atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão e a causa da viúva nem chega até eles.'' Por isso, as palavras do apóstolo Paulo são apropriadas para este momento: ''Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.''
O presidente em exercício do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Vladimir Rossi Lourenço, atesta que ''o julgamento é histórico até porque não há precedentes''. Ele vê um ponto positivo na atuação do STF. ''Mostra que as instituições estão funcionando, não importa quem é o acusado. Isso realça a independência do Judiciário.''


