Brasília - As denúncias de corrupção que atingem o governo pioraram a avaliação da administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova pesquisa CNI-Ibope, divulgada ontem, mostra que a porcentagem de pessoas que avaliam o governo como ''ruim/péssimo'' subiu de 17% para 22%. Já os que classificam a atuação como ''ótima/boa'' caiu de 39% para 35% - índice que fica dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Os números do Ibope mostram que os percentuais de avaliação do governo Lula se assemelham aos registrados logo após as denúncias envolvendo o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, no início de 2004. A partir de setembro do ano passado, havia uma tendência de recuperação da popularidade do presidente. ''Mas naquele momento, além das denúncias de irregularidades, havia um cenário econômico bem mais complexo'', diz Marco Antônio Guarita, diretor de operações da CNI.
Nas simulações de eleições presidenciais, Lula enfrentaria um segundo turno em pelo menos uma situação. Contra o prefeito de São Paulo, José Serra, a vitória no primeiro turno estaria descartada. Caso o candidato tucano fosse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, haveria uma grande possibilidade de segundo turno - sua ocorrência ou não ficaria dentro da margem de erro.
O resultado é semelhante ao da pesquisa Datafolha, realizada na quinta-feira, que mostra a reeleição de Lula apesar da crise e a certeza de segundo turno apenas contra Serra.
A pesquisa, realizada entre os dias 9 e 13 de junho, já avalia o impacto das denúncias de corrupção nos Correios e no IRB, além das acusações de pagamento de mesada a parlamentares pelo PT, feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à ''Folha de S.Paulo'', publicadas em entrevistas nos dias 6 e 12 de junho.
Os coordenadores da pesquisa, entretanto, alertam para o fato de o depoimento de Jefferson à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados ter ocorrido depois da coleta de dados. ''O resultado desta superexposição não foi medido'', disse Amauri Teixeira, da MCI, empresa contratada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) para fazer a análise dos números do Ibope.
Como resultado, diz Teixeira, o número de pessoas que disse conhecer as denúncias envolvendo o governo pode ser maior. Na pesquisa, esse índice era de 58% dos entrevistados. Sobre a credibilidade das denúncias, 76% daqueles que disseram conhecê-las acreditam que são ''totalmente verdadeiras'' ou ''mais verdadeiras do que falsas''.
Segundo o diretor de operações da CNI, a tendência de queda na avaliação também é motivada pela reprovação da forma como o governo tem gerido questões econômicas.
A pesquisa mostra que houve uma pequena elevação no número de pessoas que acreditam que a inflação e o desemprego vão aumentar nos próximos seis meses e um amplo descontentamento na atuação em relação aos impostos (73%).
Os dados coletados pelo Ibope mostram ainda que pela primeira vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perde a hegemonia na região Sul. Segundo a pesquisa, se as eleições fossem hoje e o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), fosse candidato, Lula perderia o primeiro turno neste região que engloba o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para o tucano.
A diferença, segundo o Ibope, é de nove pontos: Serra teria 38% e Lula 29% -resultado que forçaria um segundo turno. A região é a única em que Lula não venceria. A coordenação não estudou as razões para a derrota.
Foram ouvidas 2.020 pessoas em 143 municípios entre 9 e 13 de junho. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. Esta foi a 10 pesquisa CNI/Ibope realizada na gestão do presidente Lula.

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