Mensalão pagou política econômica, diz Requião
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A passagem por Londrina foi rápida, mas suficiente para o governador Roberto Requião (PMDB) mostrar que os laços de seu partido com o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não são mais os mesmos. Antes defensor assíduo da aliança entre as duas siglas, ontem o chefe do Executivo estadual atacou o que chama de ''política econômica neoliberal'' do governo federal e sugeriu que o suposto pagamento de mensalão no Congresso teria acontecido justamente para manter essa iniciativa. ''Compram-se deputados para manter o modelo econômico, essa é a verdade que tem sido ocultada. E quem ganha com a compra? Quem realmente paga esses parlamentares? De onde vem o dinheiro?'', questiona, para arriscar: ''Na minha opinião, venderam-se para o sistema financeiro''.
O peemedebista evitou opinar sobre um provável envolvimento de Lula nos escândalos de corrupção investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, que apura, entre outras, denúncia de que deputados federais da base aliada tenham recebido mesadas a partir de R$ 30 mil para aprovar projetos do Executivo. ''Isso (se o presidente está ou não envolvido) é a CPMI que vai dizer, e de que forma a coisa funciona. Mas pessoalmente acho que o Lula não tem nada com isso'', afirmou, para abrir uma ressalva: ''Penso que ele está sim envolvido em algo muito pior: a manutenção do modelo econômico neoliberal do Fernando Henrique Cardoso. Roubo e mensalão são questões para a polícia, Ministério Público e o Judiciário. Mas um modelo que segrega, marginaliza, desemprega e quebra a soberania nacional é um problema nosso''.
Questionado em seguida se estaria decepcionado com o governo Lula, porém, o governador foi taxativo: ''Profundamente''. Se isso afeta então uma nova coligação no pleito de 2006? ''Isso será discutido somente ano que vem, durante as convenções (em junho). Mas o próprio presidente (estadual) do PT (deputado André Vargas) já anunciou que lançará candidatura própria'', desconversou.
Presente no Calçadão da Avenida Paraná (Centro) para o lançamento da segunda edição do Projeto Fera (Festival de Arte da Rede Estudantil), Requião aproveitou a oportunidade para reclamar dos deputados federais paranaenses Eduardo Sciarra (PFL) e Ricardo Barros (PP) a respeito da intervenção federal no Porto de Paranaguá. ''Isso é uma safadeza do Sciarra e do Barros, que querem privatizar o porto. Quem ganha com isso? As multinacionais. Portanto, faço outra pergunta: a serviço de quem estão esses dois deputados?''
A Folha ligou para o gabinete do parlamentar pefelista em Brasília, mas ninguém foi localizado. Por telefone, Barros respondeu estar a serviço ''do produtivo, da agricultura e dos operadores portuários, e de cumprimento das determinações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários''. Decreto de Barros pede intervenção no porto por 90 dias. A matéria aguarda votação no Senado.


