Brasília - A votação da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) pode ser prejudicada pela crise que envolve o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Ministério Público em Minas Gerais de integrar o esquema do mensalão mineiro. Foi o que admitiu ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. ''Qualquer tipo de turbulência política e crise atrapalha'', comentou. ''Acho que temos de abstrair essas coisas e fazer um diálogo sobre a importância ou não de se prorrogar a CPMF.''
Na sua avaliação, será possível convencer deputados e senadores sobre a necessidade de se manter o tributo. A prorrogação da CPMF já foi aprovada em um turno na Câmara. Falta o segundo turno, além de mais duas votações no Senado. Sem ser prorrogado, o tributo deixa de ser cobrado no dia 1 de janeiro próximo, abrindo um ''rombo'' de R$ 36 bilhões na estimativa de arrecadação do governo.
Questionado sobre o clima de insatisfação na base aliada, que se julga prejudicada no preenchimento de cargos no governo, o ministro desconversou. ''Não estou sabendo de nada disso, pensei que fosse fofoca das colunas políticas.''
Bernardo atacou a oposição, que acusa o governo de promover uma farra de liberação de verbas para emendas de parlamentares, com o objetivo de ganhar votos para a prorrogação da CPMF. ''A oposição olha para o processo, saudosa de quando era governo e certamente devia fazer essas coisas'', ironizou. ''Acham que todo mundo faz assim.''
Nos final da semana passada, foram liberadas verbas para emendas de parlamentares. O deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por exemplo, recebeu R$ 2 milhões para projetos em sua base eleitoral. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) recebeu R$ 1,8 milhão para suas emendas. A bancada mineira obteve um total de R$ 17,7 milhões para rodovias e Defesa.
Bernardo negou que a liberação tenha ocorrido por causa da votação. Ele disse que desde maio havia disponibilizado recursos para emendas de parlamentares, mas o dinheiro não foi usado porque não foram apresentados projetos para receber os recursos.
A possibilidade de reduzir a alíquota da CPMF, atualmente em 0,38%, foi admitida pelo ministro. ''Mas tem de ser gradativa'', observou.
(Lu Aiko Otta/Agência Estado)

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