Mensalão foi mais atrevido caso de corrupção, diz Gurgel
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sexta-feira, 03 de agosto de 2012
Das Agências 
Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, iniciou sua sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF) ontem reafirmando a gravidade do esquema conhecido como mensalão, em julgamento no tribunal. Após citar alguns atores da história e da sociologia, como Raimundo Faoro, Maquiavel, Norberto Bobbio e Max Weber, o procurador reafirmou a acusação feita nas alegações iniciais sobre a relevância do esquema.
''Foi sem dúvida o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público realizado no Brasil'', afirmou Gurgel, ressaltando tratar-se de uma ''sofisticada organização criminosa'' destinada a comprar votos de parlamentares no Congresso.
Ele iniciou a exposição com a apresentação do publicitário Marcos Valério à cúpula do PT. Gurgel citou depoimento do ex-deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) em que o parlamentar conta como apresentou o dono da agência SMPB a José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, apontados pela denúncia original como ''núcleo político'' da quadrilha que realizou o mensalão.
Gurgel destacou que o objetivo de Marcos Valério era manter e ampliar sua participação em contratos de publicidade no governo. Enfatizou que, por outro lado, a cúpula petista buscava recursos para saldar dívidas de campanha e comprar apoio no Congresso.
Protesto
Em seu segundo dia, o julgamento do mensalão no STF continuou esvaziado de manifestantes. Os poucos que apareceram, porém, têm sido criativos. No início da tarde de ontem, um grupo de cerca de dez pessoas protestava contra os acusados no processo. Era o ''movimento sindical contra a corrupção'', formado, segundo seu porta-voz Carlos Lacerda - diretor da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos da região norte -, por diversos líderes sindicais.
O grupo, vestido com camisetas listradas em preto e branco, guardava uma cela onde estavam presos bonecos de papelão identificados como cinco dos 38 réus do mensalão: o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado João Paulo Cunha, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e os publicitários Duda Mendonça e Marcos Valério. Lacerda explicou a escolha: ''Eu sou contra a superpopulação carcerária, logo escolhemos alguns nomes mais conhecidos para ''prender''''.


