O menor R.V.O., de 17 anos, foi apresentado ontem à Polícia por um advogado, como sendo o autor do tiro que transfixiou o tórax de Wilson Betin do Prado, 37 anos, assessor do vereador Leonaldo Paranhos (PMDB), candidato a vice-prefeito de Cascavel. Até então, o acusado pelo disparo era Deverci Ferreira de Carvalho, 32 anos, que já cumpriu pena por tentativa de homicídio. O tiro, de revólver calibre 38, foi desferido em comício da coligação ‘‘Paz e Progresso’’ – do candidato a prefeito, deputado estadual Edgar Bueno (PDT) – na noite de quarta-feira, no bairro Brasília II, zona norte da cidade.
Prado, que teve o pulmão perfurado, deixou ontem a UTI do hospital. Deverci de Carvalho teria sido reconhecido por testemunhas como autor do disparo, mas negou. Ele afirmou à Polícia saber quem havia disparado, porém não o identificou, dizendo ‘‘não ser cagueta’’ (alcagueta).
À Polícia, R.V.O. disse ontem que estava no comício, a 30 metros do palanque, quando ‘‘começou uma confusão’’. Ele contou ter sido agarrado por um segurança e, ao ver um revólver ‘‘caído no chão’’, apanhou-o e atirou contra Prado, que seria o segurança. O rapaz não soube dizer a quem pertence a arma.
A Polícia Militar havia obtido depoimentos de pessoas que estavam nas imediações do disparo indicando Carvalho como o autor dos tiros. Por causa disso, mesmo com a confissão do menor, ele permanecerá preso até a conclusão do inquérito. Segundo o investigador Edson Costa, é aguardado também o resultado do teste de parafina, que indica presença de pólvora na mão de quem tenha feito o disparo. O teste só dá resultado se feito até 24 horas após o disparo – o que não foi feito no menor. R.V.O. foi ouvido e entregue à família, para responder pelo possível crime em liberdade, pois não foi apreendido em flagrante.
A coligação ‘‘Paz e Progresso’’ mantém a decisão anunciada no dia seguinte ao episódio, de suspender comícios até que as autoridades ‘‘garantam a segurança’’ nos locais onde serão realizados. O comando do 6º Batalhão da PM disse não dispor de efetivo para ficar à disposição de comícios.
O concorrente de Bueno, deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), criticou ontem o adversário, dizendo que ele tem falado que há insegurança no município, ‘‘mas, como deputado, nada fez para aumentar o número de policiais’’.

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