Agência Estado
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Dois em umMenem e FHC: para o presidente brasileiro, ‘‘não se vê Brasil e Argentina separadamente, mas se vê um conjunto’’O presidente da Argentina, Carlos Menem, deixou ontem de lado o protocolo das cerimônias oficiais das visitas de chefes de Estado para mostrar integral apoio ao pacote econômico que acabava de ser anunciado pelo governo brasileiro. ‘‘O presidente Menem vai fazer uma pequena declaração’’, anunciou o colega Fernando Henrique Cardoso à saída do Palácio do Planalto, depois do encontro privado e da reunião conjunta de trabalho, quando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, explicou o pacote para todos. ‘‘Estamos apoiando totalmente, porque são as mesmas medidas tomadas por nós há algum tempo na Argentina, e deram bons resultados’’, afirmou Menem.
Um pouco antes, os dois presidentes haviam assinado, no Palácio do Planalto, declaração conjunta sobre o Mercosul: ‘‘As medidas adotadas por nossos países, com a mais absoluta transparência (e em um contexto de permanente diálogo), para contornar os efeitos nocivos de desequilíbrios financeiros’’ têm por objetivo confirmar e reforçar ‘‘o firme compromisso do Brasil e da Argentina com os seus processos de estabilização macro-econômica’’, diz o documento. ‘‘Estamos empenhados em conformar uma agenda para a consolidação e aprofundamento do Mercosul que reflita essa nova realidade.’’
Se havia algum temor ou dúvida do presidente argentino em relação ao efeito que as medidas econômicas decretadas no Brasil poderiam ter na economia argentina, ele parece ter se dissipado na reunião conjunta de duas horas com os ministros dos dois países. Antes da reunião, uma declaração do secretário da Indústria e Comércio da Argentina, Alieto Guadagni, demonstrava empenho em deixar o Mercosul fora do alcance do pacote: ‘‘Qualquer medida na área de importação no Brasil, o Mercosul não deve ser incluído’’.
Depois da longa explicação feita por Malan, todos eram sorrisos. ‘‘Sempre estivemos tranquilos, porque sabemos da capacidade, do talento e da coragem do amigo presidente do Brasil’’, reforçou Menem.
A visita iniciada ontem por Menem é a sua terceira como chefe de Estado e a sexta ao Brasil. Fernando Henrique ‘‘acolheu o presidente Menem num clima de grande amizade’’, relatou o porta-voz do Planalto, Sérgio Amaral. ‘‘Mencionou também que o Mercosul hoje é uma marca’’, continuou, explicando que isso foi sentido mais claramente durante a visita do presidente norteamericano, Bill Clinton, ao Brasil. ‘‘Não se vê Brasil e Argentina separadamente, mas se vê um conjunto, que é o Mercosul’’. Esse conjunto representa hoje uma defesa dos países da região frente aos riscos da globalização, continuou Fernando Henrique.

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