Mendonça promete dar nomes aos bois e conta com Lara
O ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que pediu para falar sobre o escândalo em que está envolvido, hoje no Congresso, a partir das 10 horas, disse ontem que caso seja convocado a depor na Polícia Federal sobre o caso das conversas telefônicas grampeadas no BNDES, dirá quem, na sua opinião, está por trás da divulgação das fitas. Ao embarcar na noite de anteontem no Aeroporto JFK, em Nova York, com destino a São Paulo, Mendonça de Barros disse estar tranquilo com a perspectiva de depor hoje no Congresso sobre o caso das fitas. Eu mesmo me ofereci para esclarecer o assunto aos parlamentares, afirmou.
Em seu depoimento, segundo o ministro das Comunicações, ele vai argumentar que os trechos das conversas telefônicas divulgados, os quais sugerem influência no processo de privatização do Sistema Telebrás, foram editados, dando uma idéia distorcida dos diálogos.
Mendonça afirmou que, na véspera do leilão de privatização, ele teria conversado com vários consórcios interessados em participar da concorrência. Uma dessas conversas, segundo o ministro, foi com a empresa MCI, a quem ele teria esclarecido detalhes da regulação do setor de telecomunicações no País.
Em conversa com jornalistas na segunda-feira, em Nova York, o ministro acusou o empresário Carlos Jereissati de ter sido o responsável pela divulgação das fitas. Segundo Mendonça de Barros, Jereissati, sócio do Consórcio Telemar, que controla a companhia Tele Norte Leste, estaria entrando em atrito com o BNDES e teria interesse em desgastá-lo politicamente. O BNDES detém 25% do capital da empresa e tem poder de voto na diretoria. É fácil ver quem seria beneficiado com a minha demissão, disse Mendonça de Barros.
O presidente do BNDES, André Lara Resende, vai acompanhar o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, hoje em depoimento ao Senado. Ontem os dois passaram a tarde reunidos preparando o depoimento para esclarecer o conteúdo das conversas telefônicas captadas pelo grampo e reveladas pela revista Veja. Embora não tenha sido convocado oficialmente pela presidência do Senado, Lara Resende decidiu comparecer. Como não fui convocado, irei lá para ajudar o Luiz Carlos, mas responderei às perguntas que me forem formuladas, afirmou.
Lara Resende mostra-se indignado ao falar do episódio do grampo em seu telefone: É brincadeira criar esse clima de suspeita sobre nós. Falastrão e criminoso é quem fez o grampo e deu curso à ele. Informado que o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), comentara que o ministro das Comunicações Mendonça de Barros tomará um comprimido de Lexotan para moderar sua lingagem, Lara Resende respondeu: Isso é um absurdo. Luiz Carlos nunca tomou Lexotan na vida. Não será agora que vai precisar. (Colaborou Suely Caldas).Arquivo FolhaAbraçadosMendonça e Lara Resende: presidente do BNDES vai socorrer amigo ministroIsabel Versiani
Agência Folha





