Brasília - Pela segunda vez, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mandou ontem a Polícia Federal (PF) soltar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Desta vez, os argumentos técnicos da decisão dividiram espaço com críticas explícitas à atuação do juiz federal da 6 Vara Criminal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, que ordenou todas as prisões de investigados da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
No despacho divulgado ontem, Mendes desqualifica os argumentos usados por De Sanctis para determinar o retorno de Dantas à carceragem da PF e afirma que o magistrado estaria reiteradamente resistindo a obedecer a decisões do Supremo. Para comprovar essa dita resistência do juiz, Mendes citou o caso do empresário russo Boris Abramovich Berezovsky, dono da MSI, empresa que patrocinava o Corinthians. O empresário russo foi acusado de usar o patrocínio ao clube para lavar dinheiro. Por uma decisão liminar do ministro do STF Celso de Mello, o processo deveria ser suspenso enquanto o habeas corpus não fosse julgado no mérito. De Sanctis, de acordo com a decisão, teria tentado burlar a decisão.
Mendes já havia acionado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho da Justiça Federal (CJF) e a corregedoria do Tribunal Regional Federal da 3 Região na quinta-feira. Quis, com isso, que a conduta do juiz, que determinou a prisão dos 24 investigados pela PF, fosse investigada. Os boatos de que, por ordem de De Sanctis, Mendes estaria sendo monitorado pela PF reforçaram as críticas do presidente do STF ao juiz. Mendes comunicou os supostos grampos ao CNJ, ao CJF e ao TRF 3. Depois, porém, a existência de grampos foi desmentida em varredura feita pela segurança do STF.

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