Curitiba - Se o eleitor tiver memória, os deputados do Paraná que buscam a reeleição terão sérias dificuldades para conquistar o voto neste ano. Temas impopulares, aprovados muitas vezes à toque de caixa pelos parlamentares antes de a campanha começar, exigirão dos candidatos agora jogo de cintura acima da média para convencer o eleitor das posturas assumidas.
Na história recente da Assembléia Legislativa, pelo menos cinco temas criaram polêmica e trouxeram desgaste político aos deputados que querem permanecer no poder: a implantação do pedágio nas rodovias do Paraná, a antecipação dos royalties de Itaipu, a privatização do Banestado, o processo de venda da Copel e o aumento das custas judiciais em todo o Estado.
Na Câmara Federal, dois assuntos geraram discussões e protestos da sociedade civil. Um foi a instalação da CPI da Corrupção, quando todo o primeiro escalão do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi mobilizado para impedir a investigação. O outro foi a alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), rejeitada por praticamente todos os sindicatos de trabalhadores nacionais.
Ao defender um tema impopular em uma votação, o político de um modo geral sempre assume o risco de ver sua reeleição dificultada em um futuro mandato. A falta de memória do eleitor, entretanto, pode ser um trunfo para o candidato. O cientista político e historiador Carlos César Lemos acredita que o eleitor não lembra do comportamento de um determinado político espontaneamente. ''Sem o estímulo de um agente externo, é difícil que o eleitor recorde do que seu candidato fez. Muitas vezes, ele não lembra nem em quem votou na eleição passada'', analisa Lemos.
Essa falta de memória do eleitor pode ser um dos motivos que leva os temas controversos a serem votados em anos em que não ocorrem eleições. Tanto a privatização da Copel e do Banestado como a instituição do pedágio e a antecipação dos royalties de Itaipu foram votadas em datas distantes das eleições para o governo. Apenas o aumento das custas judiciais, cuja polêmica foi criada fora da Assembléia Legislativa (veja box), foi votada neste ano.

mockup