Integrantes da Comissão Permanente de Investigação criada pelo Conselho Universitário da UEL reclamam que estão encontrando dificuldades para ter acesso aos contratos licitatórios feitos durante a administração do reitor Jackson Proença Testa. A comissão apura denúncias de irregularidades na UEL e deve entregar o relatório sobre as investigações no dia 3 de agosto.
Para o presidente da comissão, César Caggiano Santos, a UEL montou um ‘‘esquema burocrático’’ para atender o grupo. ‘‘Isso realmente traz um certo transtorno devido ao pouco tempo para todo o trabalho’’, afirmou. Ele disse ainda que a administração da UEL tem se negado a fornecer as atas das reuniões do Conselho de Administração na gestão de Testa.
‘‘Eles estão se negando a entregar as atas, só que elas são de extrema importância para fundamentar o relatório. É por elas que você vai saber o que foi aprovado ou não, nas questões administrativa e orçamentária’’, afirmou Caggiano.
O auditor da UEL, Anisio Ribas Neto, negou que a instituição esteja dificultando o trabalho da comissão. ‘‘Tudo o que eles estão pedindo estou fornecendo. Algumas solicitações dependem de se verificar o contéudo, mas nada está sendo osbtacularizado’’, afirmou. Ele disse ainda que ontem a comissão recebeu diversos documentos sobre obras feitas no campus.
Já o reitor em exercício, Mauro Ticianelli, afirmou que a comissão tem ampla liberdade para trabalhar. ‘‘Não tenho como explicar (a dificuldade em obter documentos), eles devem apresentar o relatório e veremos o que houve, não tenho interferido em absolutamente nada’’, comentou.
A Comissão de Investigação foi criada em maio, depois que surgiram as denúncias envolvendo o ex-chefe de gabinete da reitoria Itaicy Mendonça. A primeira denúncia partiu do apresentador de TV de Maringá, Márcio Mello. Em 22 de maio, ao prestar depoimento ao Ministério Público (MP) de Maringá, Mello afirmou que teria repassado um cheque de R$ 7,6 mil a Itaicy.
O repasse teria sido feito por ordem do ex-deputado Benedito Pinga-Fogo de Oliveira, proprietário da Rádio Nova Ingá, de Maringá. O MP de Londrina deve ouvir nesta semana o titular da conta corrente, onde o cheque teria sido depositado duas vezes e voltado por falta de fundos.
Itaicy voltou a ser alvo de nova denúnca em 13 de junho, quando o ex-vice-reitor Márcio Almeida renunciou ao cargo. Durante entrevista coletiva, Almeida denunciou a suposta existência de gravações de conversas em que o então chefe de gabinete pedia propina a empresas prestadoras de serviços à UEL.
O MP analisa também fitas cassete apreendidas no prédio da reitoria, na noite da renúncia de Almeida. O Instituto de Criminalística de Londrina constatou a existência de conversas oriundas de escuta telefônica ilegal, nas quais apare a voz de Itaicy. A Polícia Civil também apura o caso. (L.R.)

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