Membros da CPI lamentam absolvição do governador
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O relator da extinta CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR/foto), considerou que os deputados catarinenses apunhalaram o povo pelas costas ao arquivarem o processo contra o governador Paulo Afonso Vieira (PMDB). Para ele, as provas de fraudes na emissão dos títulos e de desvios dos recursos feitos pelo governo do Estado são inquestionáveis. Os deputados preferiram desconhecer tudo isso, afirmou. Agora ficou fácil roubar em Santa Catarina e, por isonomia, deveriam anistiar as pessoas que estão nos presídios do Estado. O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), também ex-integrante da CPI, vai pedir a expulsão dos dois deputados estaduais do PFL que se ausentaram da votação e, com isso, permitiram a permanência de Paulo Afonso no cargo. Vamos expulsar os deputados Ciro Rosa e Onofre Agostini, afirmou.
Ex-presidente da CPI, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) disse que a decisão da Assembléia não é um bom exemplo. Para o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), as pressões políticas sobre os deputados estaduais impediram o impeachment do governador. O líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), afirmou que o Senado cumpriu o seu papel, ao denunciar e apurar as irregularidades. Para ele, cabe agora ao povo julgar nas urnas os deputados estaduais que preferiram desconhecer todas as evidências e realizar um julgamento político.
Os senadores Vilson Kleinubing (PFL-SC) e Esperidião Amin (PPB-SC), os dois representantes de Santa Catarina que iniciaram as denúncias contra a emissão dos títulos pelo governador Paulo Afonso Vieira, mostraram-se inconformados com a decisão da Assembléia. O governador aproveitou o tempo que lhe foi dado pelo Supremo Tribunal Federal não para preparar sua defesa mas para fazer uma ampla negociação e conseguir os votos que impedisse o impeachment, disse Kleinubing. Durante as próximas eleições, vou denunciar todos os deputados traidores, acrescentou.
Esperidião Amin vê na decisão da Assembléia Legislativa uma mancha na história de Santa Catarina, que somente o tempo e a razão removerão. Para ele, a decisão de arquivar o processo contra Paulo Afonso foi uma vitória da fraude, da falta de princípios e da compra de votos.


