Curitiba - A indicação dos parlamentares que deverão integrar a Comissão Especial de Investigação (CEI) aprovada anteontem na Assembléia Legislativa - e que pretende apurar supostas irregularidades nos gastos do Executivo com publicidade e propaganda - promete esquentar os bastidores da Casa. Ontem, o autor do requerimento que solicitou a criação da CEI, Marcelo Rangel (PPS), admitiu que o rumo das investigações depende também de quem o PSDB vai indicar para integrar a CEI. ''Não podemos afirmar com certeza que a base do Governo do Estado terá mais membros na CEI. O PSDB, por exemplo, é uma incógnita'', especulou Rangel. Pelo Regimento Interno, que leva em conta o número de parlamentares por bancada, a CEI será composta por dois membros do PMDB, um do PSDB, um do PT, um do DEM, um do PP e um do bloco formado pelo PSB e o PV.
''Só o PMDB e o PT fazem parte da situação. O PSB e o PV são independentes. O DEM e o PP devem ser oposição e o PSDB está dividido'', disse. O PPS de Rangel não teria, portanto, espaço na CEI. Por ser o autor das supostas denúncias contra a Secretaria de Estado de Comunicação Social - levadas ao plenário no último dia 7 -, Rangel garante que o DEM abrirá mão da vaga na CEI. ''É um acordo de cavalheiros. Tenho conversado com o DEM e já existe um pré-acordo para eles me indicarem.'' O líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), voltou a ironizar a criação da CEI. Ele alega que tanto na CEI como na Comissão Permanente de Obras Públicas, Transportes e Comunicação do Legislativo, sob o comando de Rangel, a oposição é minoria. ''Não vai mudar nada. E a oposição comemorou a criação da CEI como se tivesse feito um gol.''
Romanelli afirma que o líder do PSDB, Luiz Nishimori, é quem indicará um nome da legenda à CEI. Nishimori responde a um processo de expulsão do PSDB por integrar a base de apoio do governador Roberto Requião (PMDB). Na Assembléia, três tucanos votam com a situação (Nishimori, Luiz Fernandes Litro e Luiz Accorsi) e três com a oposição (Valdir Rossoni, líder da Oposição, Ademar Traiano e Rui Hara). Romanelli também não acredita no ''acordo de cavalheiros'' que permitiria a participação de Rangel na CEI.
Há cerca de um mês, a cúpula do PSDB tem pressionado os ''tucanos de bico vermelho'' a entrarem na linha. Ontem, Rossoni reforçou a existência de uma resolução do PSDB que obriga seus correligionários a adotarem uma postura de oposição ao Governo do Estado.

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