Brasília - Esta será uma semana decisiva para o governo e para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que dá sinais de impaciência em relação às pressões a que está submetido desde que virou alvo de sucessivas denúncias produzidas pela oposição. Meirelles está cansado e analisa a possibilidade de abandonar a estratégia do governo de ficar de plantão para responder a cada nova denúncia. ''Estou exausto'', disse ele no final da semana em que foi alvo de uma super-exposição na mídia.
Meirelles reconhece que a estratégia da oposição, de submetê-lo a um desgaste incessante, está cumprindo seu objetivo e dificilmente será interrompida antes de outubro, quando se realizam as eleições municipais.
Nesse contexto, perdem ele e o governo. Nem o governo, nem o presidente do BC cogitam de sua saída, mas Meirelles pensa em calar. No governo, cogita-se a possibilidade de o presidente Luis Inácio Lula da Silva falar em uma rede nacional de televisão, quando informaria à população sobre os números positivos da economia e aproveitaria para fazer uma breve defesa do presidente do BC.
Em pleno inferno astral ele completará 59 anos no dia 31 deste mês , Meirelles ainda administra, como autoridade monetária, os vasos comunicantes entre as denúncias e o comportamento do mercado financeiro, que exibiu, na semana passada, os primeiros sinais de contaminação.
A situação é, de fato, delicada. Dentro de oito dias, Meirelles estará presidindo a reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) para definir a trajetória de juros do País. Segundo fontes da área econômica, o ideal é que ao longo desta semana a ''crise Meirelles'' seja deslocada para as páginas internas dos jornais e a agenda positiva do governo passe a ocupar lugar de destaque na mídia. O governo não quer que a atual onda de denúncias comprometa a condução da política monetária, sustentam assessores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que Meirelles merece o apoio do governo e não vai afastá-lo do cargo. ''Nunca agi sob pressão e não vai ser agora que vou agir'', disse ele, recentemente, a mais de um interlocutor. Tanto Lula quanto o ministro Antonio Palocci confiam no presidente do BC.
''Seguramente, Meirelles saberá prestar esclarecimentos sobre tudo'', afirmou o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), que em nenhum momento admitiu a possibilidade de evitar a ida de Meirelles ao Congresso.
O Palácio do Planalto ainda tenta negociar a melhor data para a ida do presidente do Banco Central à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. ''Meirelles virá aqui, mas não para falar apenas desse episódio. Ele também vai abordar os ótimos resultados da economia'', argumentou Mercadante.
O presidente do PT, José Genoíno (SP), que ficou ostensivamente fora do conflito, admite que sua preocupação no momento é exclusivamente com a campanha eleitoral. ''Estou vindo de João Pessoa e já vou viajar de novo'', dizia ele, no meio da semana passada, numa breve passagem por Brasília, quando Meirelles ardia na fogueira das denúncias.
Provocado, Genoíno consentiu em falar do assunto: ''Isso tudo é fofoca, essa turma aí (a oposição) pensou que ia ser fácil vencer as eleições e agora está vendo que vai perder. Aí apela. Tô nem aí'', disse, dando de ombros.

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