Meger pode ter fraudado outra votação na Câmara
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quinta-feira, 02 de abril de 1998
Agência Folha 
O deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) não entrou na Câmara no dia 12 de março, segundo dados oficiais da secretaria da Casa. Apesar disso, o nome do deputado apareceu no painel eletrônico durante as duas votações nominais da sessão. O levantamento é a primeira evidência de que outro parlamentar votou por Meger na sessão, comprovando a denúncia feita à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da existência da prática de pianismo (quando um parlamentar vota por outro ausente) antes do flagrante do dia 18 de março.
Naquele dia, o deputado José Borba (PTB-PR) foi flagrado votando por Meger por três vezes durante a sessão que analisava emendas ao projeto de reforma da Previdência. O flagrante motivou o pedido de cassação dos dois parlamentares pela Mesa da Câmara. A presidência da Casa vai enviar ofício às companhias aéreas para que informem se Meger esteve em algum dos vôos que saíram de Brasília no dia 12 de março.
O resultado da consulta servirá para comprovar se o deputado estava ou não em Brasília no momento da votação. Anteontem, na CCJ, o deputado Alexandre Ceranto (PFL-PR) afirmou que encontrou-se com um assessor de Meger quando chegou ao Paraná, no dia 12 de março. Segundo Ceranto, o assessor lhe disse que o deputado não havia ido a Brasília naquela semana.
Nos dias 10 e 11 de março, há registro de entrada de Meger na Câmara e o nome do parlamentar também aparece nas listas de votação do painel eletrônico. O registro é feito nas entradas da Câmara por funcionários da secretaria da Mesa. Eles anotam o nome do parlamentar quando ele entra na Casa. O deputado Meger disse que estava em Brasília e que provará isso na CCJ.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou que não há como descobrir quem foi o deputado que votou por Meger na sessão, caso fique comprovado que o parlamentar não estava na cidade no dia 12. No dia 18, o flagrante só foi possível porque Temer recebeu a denúncia durante a sessão em que a fraude ocorria. Dessa forma, ele acionou a TV Câmara para registrar a votação.
A fraude foi comprovada pelo cruzamento da ordem do registro dos votos dos parlamentares com imagens da TV Câmara. A denúncia piorou a situação de Meger no processo de cassação. Ele tem insistido em negar que tenha fornecido a sua senha para Borba e lhe pedido para votar por ele. Borba, no entanto, declarou à comissão que houve um acerto entre os dois parlamentares e que Meger lhe forneceu sua senha secreta por duas vezes no dia 18.
A repetição da senha, segundo Borba, foi necessária porque o deputado havia se esquecido do número no momento de votar pelo pefelista.


