Meger garante que não renuncia ao mandato
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Marcos Zanatta 
O deputado federal Valdomiro Meger (PFL) disse ontem em Maringá, onde tem base eleitoral, que nunca pediu para nenhum parlamentar votar por ele nas sessões. Meger, que concedeu entrevista coletiva em seu escritório político, negou ter passado a senha para o deputado José Borba (PTB) votar anteontem, e garantiu que durante todo o dia tentou sem sucesso entrar em contato com Borba, que estava em Brasília. Qualquer deputado consegue descobrir a senha do companheiro. Basta ficar atrás da cadeira durante as votações, esclareceu Meger, emendando que é amigo de todos os deputados do Paraná. Menos de dois.
Ele não quis acusar o deputado Odílio Balbinotti (PSDB), com o qual abriu uma briga local por causa de verbas para um viaduto que está sendo construído em Maringá. Não vou julgar ninguém agora, resumiu. Meger disse que ontem estava muito transtornado com os fatos, mas ainda hoje ou mais tardar na segunda-feira vai se inteirar sobre as providências que a Câmara pretende tomar, para preparar a defesa. Não terei dificuldades de mostrar que trabalho para meu Estado, mas acato qualquer decisão da Câmara, que é soberana, alega.
Bastante nervoso e depois de atrasar 40 minutos a entrevista marcada para o final da tarde, Meger disse que deixou Brasília às 15h30 de quarta-feira para participar de um seminário sobre cana-de-açúcar em Maringá. Como membro da Frente Parlamentar Sucroalcoleiro, tinha que estar no seminário. Ele disse que antes de sair da capital federal, registrou presença no painel da Câmara, e alega que o procedimento foi normal porque participou de outras reuniões. Por volta das 22 horas recebi dois telefonemas de repórteres afirmando que meu nome aparecia no painel, apesar de não estar na Câmara, o que me deixou muito transtornado, garantiu.
Meger garantiu à Folha que não renunciará ao cargo, e que pretende agora consultar o partido e assessores para tomar as medidas necessárias. Vou pedir a mudança no sistema de votação do Congresso e tomar mais cuidado com a minha senha, afirmou, antes de deixar a sala a pedido dos assessores. Meger garantiu ainda que não sabe se um deputado vota pelo outro, como ocorreu com ele.


