Curitiba - A Polícia Federal (PF) iniciou ontem em oito estados brasileiros a Operação Farol da Colina com o intuito de cumprir 215 mandados de busca e apreensão em residências de investigados, sedes e filiais de 75 empresas e 123 mandados de prisão temporária. Cerca de 800 policiais federais estão envolvidos na operação que abrange os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Amazonas e Pará. Todos os pedidos de prisão e busca e apreensão foram feitos pela Força-tarefa paranaense, composta por policiais federais, procuradores da República, agentes da Receita Federal e fiscais do Banco Central.
''As prisões foram fruto de um trabalho investigativo iniciado em maio de 1997'', afirmou ontem o superintendente da PF do Paraná, Jaber Makul Hanna Saadi. Os pedidos foram feitos com base nos autos 207 de 1998 que investiga crimes de evasão de divisas através das chamadas contas CC-5, aparentemente legais e criadas pelo Banco Central para facilitar a vida dos residentes estrangeiros no Brasil. Saadi informou ontem, em entrevista coletiva, que foram identificadas organizações criminosas de vários estados brasileiros e que usavam as contas do Banco do Estado do Paraná (Banestado) para remessa de dinheiro ilegal para fora do País.
Na maior parte dos casos os recursos eram depositados em contas correntes tituladas por laranjas (pessoas que não existiam ou não tinham ligação direta com os recursos depositados). Posteriormente, os valores eram transferidos para contas CC-5 tituladas por casas de câmbio e bancos paraguaios que também acolhiam depósitos em espécie, supotamente provenientes do comércio de Ciudad Del Este, no Paraguai. Depois do fechamento de câmbio, os recursos eram remetidos para a agência do Banestado em Nova York (EUA).
Entre as prisões mais significativas realizadas ontem está a do doleiro Antônio Oliveira da Claramunt, o Toninho da Barcelona, convocado algumas vezes para prestar esclarecimentos na CPMI do Banestado. ''As operações poderão durar ao todo entre três e quatro dias. Entretanto, vamos fazer tudo cuidadosamente para prender o maior número de pessoas possível'', disse o superintendente da PF. As estimativas da Força-Tarefa do Paraná demonstram que entre os anos de 1997 e 2002, cerca de US$ 24 bilhões saíram irregularmente do Brasil.
A operação recebeu o nome de Farol da Colina em alusão à conta fantasma chamada Beacon Hill Service Corporation (uma empresa financeira que tinha transações comerciais com o Banestado de Nova York), da J. P. Morgan Chase Bank em Nova York, que movimentava milhões de dólares através de um sistema chamado de ''dólar a cabo'', uma transação na qual empresários e comerciantes indicavam, via doleiros, contas no exterior para receber recursos sem recolhimento de impostos ou declarações à Receita Federal.

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