Ex-companheiros de toga definem Lalau como ‘‘uma personalidade megalomaníaca’’. Outros falam de um homem ‘‘perdulário’’ e ‘‘egoísta’’, com disposição incomum para gestos extremos – sobretudo quando muito dinheiro está em jogo. Assim, Nicolau saltou do posto de presidente do TRT-SP, cargo que ocupou entre 1990 e 1992, para uma vaga na escala difusão vermelha – classificação que a Interpol dá para os dez fugitivos mais procurados do Planeta.
Desde os tempos de escola, era um exibicionista, contam antigos colegas que o chamavam de ‘‘Lalo’’. No melhor estilo boa-vida, frequentava a Faculdade de Direito do Largo São Francisco a bordo de um Continental Lincoln. ‘‘Era um conversível espetacular, num tempo em que poucos tinham esse privilégio’’, conta um ex-colega.
O ex-genro Marco Aurélio Gil de Oliveira conta que Nicolau é ‘‘gastador de mão cheia’’. Em Miami, presenteava Maria da Glória, a mulher, com anéis, colares e pulseiras cobertas de brilhantes. O ex-juiz promovia jantares faraônicos em restaurantes de alto gabarito e distribuía polpudas gorjetas. Ele pilotava automóveis Porsche e Lamborghini, de cerca de US$ 120 mil. Nas areias brancas de Miami Beach, Lalau bronzeava o corpanzil acompanhado da mulher e das três filhas. Ele é sócio de um clube requintado em Key Biscane, onde costumava torrar parte da fortuna.
‘‘A carreira do Nicolau sempre foi marcada por lances de pura esperteza’’, atesta um ex-presidente do TRT. Quando deixou a presidência, assumiu, imediatamente, o comando da Comissão de Obras do Fórum, da qual só saiu em 1998. A CPI do Judiciário no Senado identificou 117 ligações telefônicas que ele fez para a Secretaria-Geral da Presidência da República.
O império de Nicolau começou a ruir em 1997, quando a procuradora da República Maria Luísa Duarte deu início a uma ampla investigação sobre o rombo do Fórum. Os bens do magistrado foram tornados indisponíveis por decisão da Justiça Federal. As investigações ligam o senador cassado Luiz Estevão e outros empresários poderosos à quadrilha de Lalau.

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