A Justiça Federal do Amazonas condenou na sexta-feira o megagrileiro Falb Saraiva de Farias, de 67 anos, a quatro anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por crimes de estelionato qualificado e uso de documentos falsos. Na sentença, a juíza Jaíza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara da Justiça Federal, considerou que Falb Farias usou documentos falsos na venda de terras para o comerciante Dalci Paranhos Mesquita, do Mato Grosso.
As terras pertenciam a Maria Luíza Hidaldo Barros. Com uma procuração dela, Farias registrou no Cartório de Canutama (AM) 130 mil hectares, em 1979. Ao vender sua empresa Ecomex S.A. Industrial Comercial e Importação em 1995 para Mesquita, Farias aumentou a área, no livro de registro, para 365 mil hectares. As terras e a empresa foram transferidas para Mesquita por R$ 2,6 milhões. A mesma propriedade havia sido desmembrada para outros compradores e empresas de Farias.
Com a sentença, a juíza decretou a terceira prisão preventiva de Farias, já que ele teria o direito de recorrer em liberdade.
Farias está preso na Polícia Federal de Manaus desde o dia 16 de março, depois que depôs na CPI da Grilagem de Terras Públicas. Ele responde a 39 inquéritos, que investigam a apropriação de 12 milhões de hectares no Amazonas.
A decisão de sexta-feira é resultado dos oito primeiros inquéritos finalizados pelo delegado Anilton Roberto Turíbio. O advogado de Farias não foi localizado. Em janeiro, Falb Farias disse que era proprietário de 7 milhões de hectares. ‘‘Precisei de 20 anos para pagar essas terras’’, disse.

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