São Paulo - Apoiado por um megabloco partidário, o petista Arlindo Chinaglia (SP) venceu ontem a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Com 261 votos, Chinaglia superou Aldo Rebelo (PC do B-SP) no segundo turno da eleição. Aldo somou 243 votos. Foram contabilizados ainda seis votos em branco.
O pleito foi para o segundo turno porque nenhum dos três candidatos - Chinaglia, Aldo e Gustavo Fruet (PSDB-PR) - conseguiu metade mais um (257) dos votos dos 512 deputados que votaram na eleição realizado ontem. No primeiro turno, Aldo obteve 175 votos, enquanto Chinaglia ficou com 236 votos. O candidato da terceira via, Fruet, foi derrotado no primeiro turno com 98 votos. Foram computados três votos em branco.
O megabloco de Chinaglia é formado por PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PTdoB. Essa costura foi criticada por tradicionais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). ''O presidente Lula disse que queria um eixo de centro-esquerda no seu governo. Nós levamos isso a sério. O PT não fez eixo de centro-esquerda, mas de centro-direita'', afirmou.
O racha na base aliada foi criticado por aliados fiéis de Lula. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, rebateu a declaração do presidente sobre o racha na base aliada provocado pela disputa de Aldo e Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Ciro disse que a disputa no segundo turno só serviu para ''sangrar um pouco mais a base aliada''. ''É algo abaixo da sensatez'', afirmou o ex-ministro da Integração.
Apesar da disputa pela presidência da Câmara ter rachado partidos da base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve enfrentar dificuldades para aprovar as medidas provisórias e os projetos de lei do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Isso porque a tendência é de que, após a eleição, os 11 partidos de sustentação se reencontrem, aparem as arestas e reunifiquem forças, dando ao governo maioria absoluta. Pela configuração da 53 Legislatura, os 11 partidos da base (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB, PSB, PCdoB e PRB) têm 321 deputados. Isso sem considerar outras legendas de menor força com quem o governo Lula conta nas principais votações.
Para a disputa de ontem, PSB e PCdoB estiveram reunidos em um bloco com o PDT, o PMN e o PAN para apoiar Aldo Rebelo, enquanto os demais apoiaram Arlindo Chinaglia. Para se ter uma noção da correlação de forças, os principais partidos da oposição (PSDB, PFL e PPS), têm 72 cadeiras na Câmara. Na eleição, PSDB e PPS apoiaram a candidatura de Fruet, mas o PFL ficou com Aldo.
Se a base votar alinhada, o cenário será de absoluta tranquilidade para o presidente Lula. Isso porque, pelas regras do Congresso, nas votações principais é preciso ter maioria absoluta para aprovação das propostas (50% do total dos deputados mais 1). Com 321 cadeiras na base, Lula pode aprovar suas medidas sem precisar do apoio da oposição.
A previsão de congressistas e de cientistas políticos é de que logo todos os partidos estarão de novo unidos e as feridas da disputa curadas, porque os políticos são pragmáticos, buscam sempre o caminho mais fácil a saídas tortuosas.

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