Medo derruba CEI das Drogas em Londrina
Mauricio Della Barba
De Londrina
A Câmara de Vereadores de Londrina desistiu por medo de represálias de criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar denúncias de que a cidade estaria na rota do narcotráfico internacional. Ao invés disso, os vereadores decidiram abrir uma Comissão Especial de Acompanhamento e Apoio à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal (CEA).
Estou insatisfeito. Mas as declarações do delegado-chefe da Polícia Federal, José Roberto Morel, e as observações feitas pelo nosso procurador jurídico, Zulmar Fachin, me fizeram repensar a instauração da CEI, confessou o vereador Carlos Kita, autor do requerimento que pedia a Comissão Especial de Inquérito.
O vereador alegou que uma CEI não teria condições jurídicas e policiais para efetivar as investigações. Não haveria forças para que fosse convocado ou intimado alguém para depor. Por convite é que as pessoas não viriam, disse o vereador. Kita também levantou um possível perigo de vida aos membros da CEI. Sem proteção policial e judicial, colocaria em risco não só a minha vida, mas também de outros quatro vereadores da casa, explicou.
Com isso, a alternativa escolhida foi a formação de uma CEA, que apesar de não ter poder investigativo, poderá subsidiar com informações a CPI em Brasília. Vamos encaminhar aos deputados, os dados e relatos do que acontece em nossa cidade e que forem importantes para as investigações, disse o vereador.
O requerimento de abertura da CEA foi aprovado por unanimidade ontem, durante a última sessão ordinária da Câmara. O presidente da Casa, Renato Araújo (PPB), considerou como positivo a recuada na instauração de uma CEI. A posição do procurador jurídico Zulmar Fachin foi fundamental para que os vereadores avaliassem o risco de uma CEI. Iríamos criar uma falsa expectativa na população, além de não contar com uma estrutura de apoio condizente, argumentou.





