O governador eleito de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, disse ontem em Campo Grande que as principais medidas do pacote fiscal anunciado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘são as piores’’. Zeca disse que ainda não se aprofundou no estudo das medidas, mas, à primeira vista, concluiu que ‘‘mais uma vez a conta do pacote fiscal será paga por quem sempre pagou’’. ‘‘A gente não concorda com isso. A agiotagem não paga nada, o latifúndio improdutivo não paga nada e os trabalhadores e aposentados é que dançam’’, disse o governador eleito.
‘‘Para nós, não serve só isso (o pacote fiscal). Está muito longe do que a gente quer de um governo disposto de fato a mudar a cara desse Brasil’’, afirmou. Zeca disse que a contribuição do Estado é combater a corrupção da máquina arrecadadora estadual e ‘‘fazer chegar aos cofres o total dos impostos arrecadados’’.
O governador eleito descartou a possibilidade de fazer cortes de pessoal. ‘‘Cortar o quê? Já cortamos tudo’’, disse. O atual governador, Wilson Martins (PMDB), demitiu 7.000 servidores, mas depois teve que recontratar pelo menos 5.000. O pacote fiscal será discutido hoje pelo grupo de governadores de oposição, com a presença de Zeca, em Brasília. Segundo ele, o grupo ‘‘não é uma frente de governadores que sistematicamente vai fazer oposição ao presidente’’. ‘‘Não vamos transformar isso numa luta ideológica contra o governo FHC’’, disse Zeca.

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