Medidas sacrificam trabalhador, diz Lula
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Das agências Brasília 
O presidente de honra do PT e virtual candidato do partido à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem que o governo deveria ter enfrentado a crise nas bolsas com medidas que não sacrificassem os trabalhadores assalariados. Esse pacote atinge a parte honesta do país, que trabalha, recebe em contracheque e paga impostos, disse ele, durante debate com sindicalistas ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Distrito Federal. Em vez do aumento de 10% no Imposto de Renda da Pessoa Física estabelecido no pacote lançado anteontem pelo governo, Lula defendeu a elevação do imposto sobre carros e produtos supérfluos importados.
Lula também defendeu a taxação de grandes fortunas, como prevê projeto elaborado pelo então senador Fernando Henrique Cardoso. Ele deveria aproveitar agora para colocar em prática o seu projeto como uma medida provisória, disse Lula. A taxação de grandes fortunas está prevista na Constituição e depende de lei complementar e sanção presidencial para entrar em vigor. Não pode, portanto, ser regulamentada por meio de MP. Só paga imposto no Brasil trabalhador que recebe em contracheque, aposentado e débil mental.
Outra crítica feita por Lula é que as medidas não eliminam os principais motivos que, segundo ele, abalaram o Brasil - a fragilidade da economia nacional e a sobrevalorização da moeda brasileira em relação ao dólar.
Ciro Gomes O ex-ministro da Fazenda e possível candidato do PPS à Presidência da República em 98, Ciro Gomes, voltou a atacar o pacote econômico. O ajuste fiscal que precisamos tem que ser melhor distribuído e mais profundo, disse. A extinção de 70 mil cargos vagos. Se são cargos vagos, que benefício isso pode trazer?, questionou. Dizer que a adoção de perícia médica para fins de auxílio-doença vai economizar R$ 250 mil é brincadeira de criança.
Segundo Ciro, em vez de aumentar os impostos e de adotar medidas que vão desaquecer a economia, o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria promover o fim das transferências voluntárias de recursos para Estados e municípios. Porque isso é moeda de troca do clientelismo; são as verbas com que o governo federal suborna governadores e prefeitos em nome de sua lógica de reeleição. Ele também criticou a verba de publicidade do governo, de U$ 500 milhões, definindo-a como o dobro do que o governo diz que vai economizar colocando na rua aqueles 33 mil funcionários públicos que não têm estabilidade.
Para ele, a crise nas bolsas não é a causa do problema enfrentado pelo Brasil. Sabemos que há crise nas bolsas, porém a vulnerabilidade dos países em relação a essa crise varia de um para outro. E o Brasil é o que está mais vulnerável de todos por causa dos desequlíbrios dramáticos que o governo Fernando Henrique produziu. Para Ciro Gomes, as medidas vão promover o desaquecimento da economia, que começará 1998 com desemprego crescente.
Os dirigentes dos partidos de oposição adiaram a manifestação contra o pacote econômico do governo, marcado para hoje no Congresso. Eles acham que ainda têm poucas informações sobre as medidas anunciadas na segunda-feira. Apenas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) promoverá um ato do lado de fora do Congresso, contrário não ao pacote mas às reformas administrativa e da Previdência.


