Medida precisa ser efetivada, diz analista
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
Loriane Comeli Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
O anúncio de um plebiscito para a reforma política antiga promessa dos governantes brasileiros é resultado direto da pressão popular e representa quase um atropelo do Legislativo pelo Executivo, avaliam analistas políticos ouvidos pela FOLHA.
Para o professor de Filosofia Política da UEL, Elve Miguel Cenci, "a ideia de um amplo debate entre sociedade e classe política é bem-vinda". "Mas resta saber como isso será feito, se não será manipulado, e se será efetivamente levado adiante."
Para ele, o anúncio de Dilma é claramente uma resposta ao clamor das ruas, já que o PT vidraça é o mais afetado politicamente pelas manifestações. "Com o encaminhamento adequado, a medida pode arrefecer o movimento, desmobilizar e num certo momento o governo pode até ganhar, uma vez que tem uma campanha de reeleição pela frente", analisou.
Porém, efetivar a reforma política que afeta interesses da classe incumbida de votar a proposta dependerá da mobilização popular. "Hoje, com os protestos, o Congresso aprovaria qualquer coisa, tal como ocorreu na votação da Lei da Ficha Limpa que é bastante dura para os políticos", finalizou Cenci.
Outro professor de Filosofia da UEL, Clodomiro Bannwart, acredita que a presidente quis criar uma "agenda política positiva" em meio às manifestações e "clamor" popular. "A pressão das ruas fez com que o governo e os políticos acordassem. Mas ao mesmo tempo que o governo cria essa agenda positiva, ele corre um risco muito grande, porque essa reforma política pode mudar as regras do jogo político. Um jogo que o PT já tinha encaminhado para as eleições de 2014", afirmou.
O professor afirmou que a presidente "agrega" ao jogo político um elemento que estava fora da discussão: o povo. "O sistema político partidário estava girando em falso. A conversa acontecia somente entre eles. Agora, com os protestos, o povo mostrou que quer participar da discussão. Esse anúncio é quase o Executivo atropelando o Legislativo. Se o Congresso não vota a reforma, a presidente faz um pacto com a população para que ela vote. Podemos dizer que isso coloca na estaca zero a eleição presidencial", avaliou.


