Medida pode representar 'calote' de projetos
A contenção do gasto no Legislativo deverá engrossar o caldo de insatisfações em preparação na Casa. Deputados e senadores estão irritados com a intenção do governo de cancelar, a partir de 30 de abril, os restos a pagar dos orçamentos de 2007, 2008 e 2009. A medida poderá representar o ''calote'' a dezenas de projetos, boa parte deles decorrentes de emendas de parlamentares ao Orçamento. ''Mais de 95% dos restos a pagar são culpa do governo, que não fez as ordens bancárias para executar as obras'', disse o líder do PP, Nelson Meurer (PR). Há particular descontentamento com a Caixa Econômica Federal, que segundo o deputado cobra antecipadamente uma taxa de administração de 2% e ''não dá o atendimento'' aos projetos.
Partidos da base aliada deverão discutir hoje com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) a edição de um decreto prorrogando o pagamento dessas contas pendentes até o dia 31 de dezembro. A pressão só não está maior porque os aliados têm expectativa que, a partir de julho, o governo comece a liberar recursos para executar emendas. ''O governo tem aval de sua base até o dia 30 de junho'', afirmou o deputado. ''Demos uma trégua para dar espaço à presidente Dilma Rousseff tomar uma posição em relação aos restos a pagar.'' (L.A.O.)





