Brasília - Pressionado por senadores que veem se revezando na tribuna do plenário para exigir seu afastamento do comando da Casa, o presidente José Sarney (PMDB-MA), exonerou ontem o diretor-geral Alexandre Gazineo. Ele deixa a diretoria em meio ao escândalo dos atos secretos revelado há 13 dias e que também custaram o cargo do diretor de Recursos Humanos, Ralph Campos. Mas a indicação do consultor do Senado Haroldo Tajra para substituir Gazineo, e de Dóris Peixoto para o lugar de Ralph, não acalmaram os ânimos nem amenizaram a crise.
A escolha fez com que líderes da oposição e até da base governista não vissem na troca um ato de transparência administrativa, mas uma ''mudança'' que permite a Sarney manter o controle políticos sobre a Direção-Geral do Senado.
Entre os motivos da descrença de que as demissões gerem mudança estão as ligações políticas dos indicados. Ambos foram escolhidos pelo primeiro secretário Heráclito Fortes (DEM-PI), para ''cumprir missão por 90 dias''. O novo diretor-geral é parente do primeiro suplente do senador, Jesus Tajra, e estava lotado na primeira secretaria desde 2001. Dóris é ligada ao clã Sarney e foi chefe de gabinete da ex-senadora e atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Além disso, ao menos por enquanto apenas um dos 663 atos secretos assinados pelo ex-diretor Agaciel Maia foi anulado: o que dava direito à assistência médica vitalícia para aqueles que estiveram à frente da diretoria-geral e da secretaria-geral do Senado.
Em vez de atender aos apelos de senadores e abrir um processo para demitir Agaciel e o antecessor de Ralph nos Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi, o presidente do Senado anunciou que pedirá a ambos que se afastem do Senado informalmente.

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