Medida aproxima Lerner e FHC
Leandro Donatti
De Curitiba
A anunciada ruptura da Executiva paranaense do PSDB ao governo FHC, favorece o governador Jaime Lerner (PFL), que desde 94 briga com Alvaro Dias pelas atenções do presidente da República. Com a nova postura anunciada pelo comando do PSDB estadual, o governador passa a ser considerado pelo Palácio do Planalto o aliado número 1 do presidente no Paraná.
Os lerneristas na Assembléia aproveitaram a cisão para acusar o PSDB de oportunismo e puxar brasa para Lerner. Enquanto o time estava ganhando, os tucanos estavam nas arquibancadas e no vestiário. Agora, debandam, declarou Luiz Carlos Zuk, que, apesar de filiado no PDT, é alinhado ao Palácio Iguaçu.
Todos queriam pegar na bandeira de FHC. Agora que o País está em dificuldades, as coisas são diferentes. O Brasil está nas mãos de um presidente que merece o nosso respeito. Vai ser muito melhor ganhar as eleições junto com o presidente, discursou o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB).
José Maria Ferreira, líder do PSDB na Assembléia, disse que, antes de optar pela postura de independência, os tucanos discutiram o favorecimento de Lerner com a ruptura. Eu alertei o Alvaro. Uma decisão como essa equivale a estarmos jogando o presidente Fernando Henrique nos braços de Lerner, observou o deputado.
O Lerner já estava muito próximo mesmo, reagiu Alvaro Dias, em entrevista à Folha. O senador disse que a decisão só consolida uma realidade que já existia. O PFL é o interlocutor do presidente no Estado desde o início do mandato do presidente. Nós nunca fomos chamados para discussões. Só contribuímos eleitoralmente, queixou-se. Alvaro não esconde que um dos motivos para o ressentimento foi a entrega do único ministério reservado ao Paraná para o PFL, que indicou Rafael Greca para Esportes e Turismo.
A nomeação de Pratini de Moraes para a Agricultura, desprezando a pretensão do irmão Osmar Dias, também pesou na decisão dos tucanos. Alvaro disse que o grito de independência está longe de ser oportunismo e não está atrelado à queda da popularidade do presidente. Estamos apenas tornando transparente uma decisão que já existe.





