Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), determinou ontem que todos os médicos que constam da lista de funcionários estáveis e efetivos da Casa dêem expediente de quatro horas dentro do posto médico instalado ao lado dos gabinetes dos deputados. A decisão responde denúncias de que apenas alguns médicos contratados pela Assembléia dão expediente efetivamente e, mesmo assim, trabalham apenas duas horas por dia. As suspeitas de irregularidades neste e em outros setores da Casa surgiram depois que o Diário da Assembléia publicou a lista dos 607 nomes de servidores efetivos e estáveis.
''Mandei baixar uma medida designando dez médicos pela manhã e dez médicos pela tarde por quatro horas cada um'', afirmou Brandão. ''Com isso pelos menos dez devem pedir aposentadoria'', completou. No Diário da Assembléia constam 18 médicos. O coordenador do serviço médico da Assembléia, Rogério Augusto Camargo Scheibe, explicou que um deles está se aposentando. O médico Chrizanto Chrisostomo da Silva, tio do deputado Kleiton Kielse (PMDB), completou 70 anos e logo após a publicação do Diário da Assembléia, onde ficou formalizado o enquadramento dos funcionários, pediu aposentadoria. Scheibe argumentou que os médicos, que estão lá para atender preferencialmente emergências, sempre trabalharam, porém faziam atendimentos externos também. ''Agora vamos montar três equipes e nos revezar como determinou o presidente'', explicou.
Além dos médicos, estão na lista de funcionários efetivos e estáveis da Assembléia nove dentistas, dois enfermeiros, cinco auxiliares de enfermagem e 19 agentes de saúde (fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos). O cargo de agente de saúde foi extinto há oito anos e a direção da Casa afirmou à Folha que estes funcionários foram remanejados para outras funções. Porém, os outros 25 profissionais (retirando da conta o médico Chrisostomo da Silva) vão ter que dividir agora um espaço de três salas com cerca de nove metros quadrados cada uma.
Fora a aposentadoria de Chrisostomo da Silva, o presidente da Casa afirmou que os pedidos estão aumentando dia a dia desde que a lista de funcionários foi publicada, há duas semanas. ''Mas o ônus para a Casa é o mesmo'', explicou Brandão referindo-se ao fato de que a Assembléia arca com o pagamento da aposentadoria deles assim como o salário. Na segunda-feira, o presidente da Assembléia assegurou, durante a sessão, que ''viu muitos funcionários que nunca tinha visto antes e que aqueles que não se dedicarem exclusivamente à Casa deveria pedir aposentadoria logo porque senão iriam ser demitidos''. Até segunda-feria já haviam cerca de 30 pedidos de aposentadoria.

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