O médico oftalmologista João Francisco Daniel, que agitou a cúpula do PT com denúncias sobre suposto esquema de caixa 2 e arrecadação de propinas para financiamento de campanhas do partido, ‘‘pode indicar outra testemunha que presenciou’’ as reuniões que afirma ter tido com o ex-secretário municipal do Governo de Santo André Gilberto Carvalho -um dos coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Nesses encontros, Carvalho teria falado de ‘‘desvio de recursos públicos para o PT’’.
Irmão mais velho do prefeito Celso Daniel, assassinado em janeiro, o médico afirmou que a ex-cunhada, Míriam Belchior, também revelou dados sobre a contabilidade paralela. Míriam e Carvalho negaram ter conversado sobre tal assunto com João Francisco, mas ele sustenta ter uma testemunha dos encontros.
A informação consta do relato sigiloso que João Francisco fez ao Ministério Público, em maio. Esta semana, cópia do depoimento será entregue ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. ‘‘Se necessário, posso apontar outra pessoa que presenciou as conversas entre eu, Míriam e Gilberto’’, declarou o médico, que está preservando a identidade da testemunha.
Aos promotores de Justiça que tomaram suas declarações, João Francisco também apontou detalhes de operações supostamente irregulares em setores da prefeitura de Santo André. Segundo ele, recentemente um engenheiro do Departamento de Resíduos Sólidos (DRS) da cidade foi destituído do cargo ‘‘em função de não concordar com o contrato assinado com a empresa Rotedali de coleta de lixo’’.
A Rotedali pertence ao empresário Ronan Maria Pinto, acusado de formação de quadrilha e crime de extorsão em ações que teriam contado com a participação direta do secretário de Serviços Municipais, Klinger Luiz de Oliveira Souza. ‘‘Ao que sei, Klinger é afilhado político do deputado José Dirceu’’, declarou João Francisco.
O Ministério Público pediu a prisão preventiva de Klinger, de Ronan e do empresário Sérgio Gomes da Silva, apontados como os chefes de um processo de exigência de propinas de empresas de ônibus em vigor há cinco anos. João Francisco informou sobre falcatruas em outras áreas. ‘‘Várias irregularidades, como medições incoerentes, foram realizadas em cumprimento daquele contrato com a Rotedali.’’ Segundo ele, tais irregularidades consistiam na passagem ou pesagem de 120 caminhões da empresa, mas a prefeitura pagava por 240 caminhões, ‘‘fato que pode ser constatado no aterro sanitário da Cidade São Jorge’’.

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