Médica nega ter concedido atestados a Boca Aberta
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sexta-feira, 02 de junho de 2017
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
Uma médica e ex-servidora da Prefeitura de Londrina negou ter concedido atestados apresentados pelo vereador Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, para que o parlamentar justificasse ausência em audiências criminais. A médica prestou esclarecimentos nesta semana à promotora Cláudia Piovenzan, da Promotoria de Inquéritos Policiais, que investiga a suposta falsificação de atestados médicos apresentados por Boca Aberta. O caso está sob responsabilidade do juiz da 5ª Vara Criminal de Londrina, Paulo César Roldão. O vereador apresentou à Justiça quatro atestados entre 2015 e 2016.
A médica prestou depoimento na condição de testemunha e disse que, dos quatro atestados, três foram despachados depois de ela ter se mudado para o estado de São Paulo. "Ela foi servidora da prefeitura do início de 2015 até fevereiro de 2016. O único que consta nesse tempo data do dia 26 de outubro, só que na parte da manhã. Ela não trabalhava nesse período do dia", disse a advogada Luana da Costa Leão, que defende a médica.
Outro ponto contestado pela advogada foi a grafia incompleta do nome do parlamentar nos documentos. "Não é costume colocar apenas Emerson Miguel. O ideal seria acrescentar o Petriv", observou Luana. A defesa pediu que a Secretaria Municipal de Saúde seja oficiada para apresentar o registro dos atendimentos.
"É TUDO MENTIRA"
Boca Aberta procurou a reportagem e, mais uma vez, negou todas as acusações. "Eu desafio essa médica a comprovar qualquer indício de adulteração. São todos verdadeiros", enfatizou. Sobre a assinatura incompleta de seu nome, o vereador observou "que não foi ele quem escreveu dessa forma". O próximo passo será recorrer à Justiça. "Vou pedir um exame grafotécnico [que pode identificar possíveis alterações ou rasuras]", afirmou o vereador. Boca Aberta repetiu o discurso de que é vítima de perseguição política. "Querem criar algo que não existe."


