Rio - A médica e professora Ekatherine Goudouris, 43 anos, que trabalha no hospital universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganha aproximadamente R$ 5,7 mil líquidos. Ela tem, na verdade, dois vínculos com a folha de pagamentos do governo federal: como médica pediatra, com carga horária de 20 horas semanais, e como professora, com carga de 40. Ekatherine, que ainda encontra tempo para atender clientes particulares em uma clínica, na sua especialidade de alergista, tem mestrado e está fazendo doutorado.
A situação de Ekatherine é um exemplo de duas categorias, médico e professor, que ficaram para trás na onda de reajustes reais do funcionalismo durante o Governo Lula. São os exemplos mais típicos de atividades-fim do Estado, e foram citadas recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como funções que justificam o aumento dos gastos do Estado.
No caso de Ekaterine, porém, o governo Lula não trouxe vantagens. Ela diz que sua remuneração líquida no início de 2003 era de cerca de R$ 4,7 mil, o que significa uma redução em termos reais. ''Aqui nós temos uma responsabilidade enorme, que não se reflete na remuneração'', queixa-se.
José Henrique Sanglard, professor-adjunto de Engenharia Naval da Escola Politécnica da UFRJ, tem vencimento bruto total, de R$ 6.802,74, que fica muito aquém do salário inicial em outras carreiras do Executivo, como auditor da Receita Federal, delegado da Polícia Federal ou advogado da União - todos acima de R$ 10 mil. ''Eu estou decepcionado com o governo Lula, não só na questão salarial, mas com a maneira como trata os professores, que não bate com o discurso de prioridade à educação'', diz Sanglard. (F.D.)

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