Curitiba - Os deputados federais e senadores envolvidos na chamada máfia dos sanguessugas teriam recebido uma média de R$ 70 mil em propinas para beneficiar as empresas da família Vedoin, cujas empresas comercializavam ambulâncias e ônibus usados com equipamentos de saúde para prefeituras. A média foi estimada após depoimento do empresário Luiz Antônio Vendoin, sócio-proprietário da Planam, à Justiça Federal. Alguns deputados teriam recebido muito mais do que a média, como o deputado federal Ricarte de Freitas (PTB-MT) que teria recebido R$ 465 mil, além de veículos e outros bens.
Hoje, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas ouvirá reservadamente o empresário Luis Antonio Vedoin. ''Um grupo de parlamentares quer ouvir o empresário para tirar dúvidas que ficaram a respeito da série de depoimentos que ele prestou ao juiz Jeferson Schneider, da Justiça Federal'', disse o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos integrantes da CPI (que tem em mãos as cópias dos depoimentos de Vedoin, em audiências que duraram nove dias).
O paranaense que mais teria recebido propina entre os anos de 2000 e 2004 seria o deputado federal Íris Simões (PTB-PR). Sozinho, ele teria recebido R$ 80 mil dinheiro que teria sido depositado na conta de um assessor do gabinete em Brasília. O relatório ainda está em fase de execução pela Justiça Federal que está copilando todos os dados apresentados pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin (um dos sócios da Planam). Ao todo, segundo Vedoin, os parlamentares envolvidos teriam recebido pouco mais de R$ 5,8 milhões. Sem contar os valores pagos para prefeitos de vários municípios.
Simões foi novamente procurado ontem pela Folha. O assessor em Brasília alegou que o parlamentar está em viagem pelo interior do Paraná, onde faz campanha política para a reeleição. Hoje, ele seguiria para Brasília, onde participaria da reabertura dos trabalhos legislativos. Até ontem, o parlamentar não havia recebido qualquer notificação da CPI dos Sanguessugas ou da Justiça Federal para responder as acusações do empresário.
O ex-deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL-PR) teria recebido, segundo levantamento da Justiça Federal, R$ 55 mil em dinheiro e teria depositado em conta corrente. Ontem, Santos Filho foi novamente procurado pela Folha, mas estava em consulta médica. Em entrevista anterior, Santos Filho negou ter recebido propina para apresentação de emendas. O deputado federal José Carlos Martinez (PTB-PR), que morreu em 2003, teria recebido veículos e outros bens.
Já o médico e ex-parlamentar Mário Matos (PTB-PR) teria depositado valores (não especificados) na conta de assessores. Matos não estava em casa ou no trabalho ontem. A Folha foi informada que ele estava em viagem. Também citado no depoimento de Vedoin, o ex-deputado federal Basílio Villani (PSDB-PR) foi o que mais apresentou emendas beneficiando a Planam. Entretanto, não consta propina recebida por ele nos autos analisados pela Justiça Federal. Villani foi novamente procurado ontem, pela Folha. Na casa dele, a informação era de que ele estava em Itapoá (SC).

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