O recuo em relação ao pagamento dos salários dos grevistas foi o mais recente de uma série de concessões que vêm ocorrendo desde que se instalou o impasse nas negociações entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e o comando da greve nas universidades federais.
No início de fevereiro, Fernando Henrique Cardoso anunciou um sistema de bolsas apenas para os professores que se dedicassem mais ao ensino de graduação - no lugar de um aumento salarial para todos os universitários, que estavam havia três anos com os salários congelados.
Apesar de críticas de todos os lados - de reitores a funcionários -, o ministro Paulo Renato manteve, com pequenas alterações, o chamado Programa de Incentivo à Docência. No final de março, foi deflagrada a greve. Um mês depois, O MEC começou a fazer concessões. Ampliou os critérios para a obtenção da bolsa e, consequentemente, o número de pessoas que teria aumento. O PID, no entanto, foi derrubado no Congresso e, a partir de então, as concessões aumentaram.
O governo só queria dar aumento a professores titulados (mestres e doutores). A proposta atual dá aumento para todos. Os aposentados seriam excluídos de qualquer reajuste. Agora foram incluídos. O aumento só favoreceria quem desse mais aula. Hoje inclui também quem desenvolve pesquisa. De original, só sobrou o nome: o projeto de lei mandado ao Congresso chama Gratificação de Incentivo à Docência.

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