Cícero Pedroso confirmou, na quinta-feira de manhã, à reportagem da Folha, que comentou o assunto, há mais de um mês, com uma ‘‘equipe de TV’’ que esteve no sítio. Mas negou que tenha mudado a versão dada à Justiça. Contraditoriamente, ele afirmou: ‘‘Eu me arrependo do que vi e me arrependo de ter falado que vi’’, disse.
Pedroso disse que ele e a família vivem com medo desde que virou testemunha contra o padre Adelino Gonçalves. ‘‘Eu fui burro. Muita gente viu o que eu vi mas só eu não segurei a língua nos dentes. Por isso agora eu digo que não vi mais nada’’, revelou. Pedroso afirma que acorda amendrontado todas as noites e que tem medo de ser assassinado.
‘‘Quem matou duas pessoas não custa matar mais uma’’, ressaltou. Ele conta que sua mulher também tem dificuldades para dormir e ‘‘entra em desespero’’ toda vez que vê um carro chegar à fazenda onde moram. Pedroso recebeu assustado a reportagem da Folha. ‘‘Do que se trata?’’, perguntou ele três vezes ainda antes de saber com quem estava falando.
Pedroso tem três filhos, entre 7 e 10 anos. ‘‘Se eu morrer pisoteado por uma vaca, faz parte do meu serviço. Mas se eu morrer porque não segurei a língua na boca não tem perdão’’, frisou. Ele afirmou também que ficou dois anos desempregado e que está trabalhando há apenas três meses e tem receio de perder o emprego por ser testemunha do caso.
‘‘Eu não vi mais nada. Quero sossego para mim e para minha família. Só quero trabalhar.’’ O lavrador disse que não é mais amigo de Gomes. ‘‘Ele cortava o meu cabelo, mas virou um assassino.’’

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