Curitiba - Depois de três meses negando a possibilidade de disputar as eleições de outubro como candidato a vice, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) foi oficializado nesta sexta-feira (31) como vice na chapa de Sandro Alex (PSD), candidato ao governo do Paraná apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). O anúncio foi feito na sede estadual do MDB, em Curitiba, com as presenças do governador, de Sandro Alex e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), entre outras lideranças.

A partir de agora, a missão do grupo governista será aparar as arestas entre o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Alexandre Curi (Republicanos) e pré-candidato ao Senado, e o ex-senador Alvaro Dias (MDB).

Uma das condições para o MDB aderir à campanha de Sandro Alex seria o apoio a Alvaro na disputa pelo Senado, o que teria gerado descontentamento por parte de lideranças do Republicanos, que veem a possibilidade de divisão de votos em um cenário com vários candidatos competitivos, como Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT).

Lançado como pré-candidato a senador em abril, Alexandre Curi era até então o único candidato ao Senado apoiado por Ratinho Junior. Uma mostra do descontentamento do presidente da Alep seria sua ausência nos eventos desta sexta-feira e no encontro regional do PSD realizado na quinta-feira (30) em Foz do Iguaçu. O grupo governista aguarda a convenção estadual do Republicanos, que será no fim da tarde da próxima segunda-feira (3), em Curitiba. As candidaturas devem ser registradas até o dia 15 de agosto.

“SEM CRISE”

Enquanto Rafael Greca discursava no lançamento de sua candidatura a vice, Ratinho Junior deixou a sede do MDB pelos fundos, mas foi abordado por jornalistas antes de entrar no carro. Ele negou a existência de qualquer crise no grupo governista, minimizou a ausência de Alexandre Curi nos últimos dias e confirmou que a chapa deverá ter dois candidatos ao Senado. “Tem o compromisso da vaga com o Alexandre Curi. Agora nós temos mais quatro ou cindo dias, ouvindo os outros partidos, e o nosso, para definir a segunda vaga. É uma definição que a gente vai fazer em conjunto.”

O governador confirmou que Alvaro Dias poderá ser o segundo candidato a senador, mas disse que isso dependerá de uma decisão conjunta. Outra possibilidade é a jornalista Cristina Graeml (PSD), segunda colocada nas eleições municipais de Curitiba em 2024, mas ela enfrenta resistências dentro da coligação – principalmente por parte do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e do próprio Rafael Greca.

“Eu acho que o Alvaro é um nome muito importante para o Paraná e foi um grande senador. Aí também tem que decidir o MDB, que também vai ter que avaliar isso”, disse Ratinho Junior. “Nós temos a Cristina Graeml, que é uma possível candidata também, que está representando a nossa chapa e o nosso partido, e vamos ter que construir agora um nome de consenso.”

Segundo o governador, Cristina tem trabalhado para que o grupo chegue a um consenso. “Ela tem sido muito parceira no sentido de achar uma solução coletiva. Não é uma discussão pessoal, não é um projeto pessoal, é um projeto de Estado.”

Questionado sobre a ausência de Alexandre Curi nos últimos eventos, Ratinho Junior negou a existência de uma crise. “Ele (Curi) deve estar também trabalhando para ajudar a construir essa chapa que fique mais confortável para ele”, afirmou. “Isso é totalmente normal numa construção de chapa. Não existe crise. É natural que agora exista uma discussão de nomes, mas a demonstração é essa união nossa.”

A vice-candidatura de Greca será oficializada na convenção estadual do MDB, na manhã deste domingo (2) em Curitiba. A definição sobre a possível candidatura de Alvaro Dias ao Senado deverá ficar para depois, perto do prazo final para os registros de candidatos. Além do MDB e da federação União Progressista, Sandro Alex já tem os apoios da federação PSDB-Cidadania do Republicanos – o que poderá mudar nos próximos dias.

APOIO A MORO?

Alexandre Curi, que ensaiou uma pré-candidatura ao governo do Estado no início do ano, é visto como um dos principais articuladores da campanha de Sandro Alex e teria ajudado a atrair o apoio da federação União Progressista (formada por União Brasil e PP), que tem como principal liderança no estado o deputado federal Ricardo Barros (PP). O acordo com a federação incluiria a presidência da Alep a partir de 2027 para a deputada Maria Victoria (PP), filha de Ricardo Barros.

Nos bastidores, o comentário é que o descontentamento de Curi poderá levar o deputado a declarar neutralidade na disputa pelo Palácio Iguaçu. Outra possibilidade seria o Republicanos migrar para a campanha do senador Sergio Moro (PL) ao governo. Uma das lideranças do partido no Paraná é o deputado federal Pedro Lupion, um dos líderes do agronegócio no Congresso, que passou a ser cotado para ser vice na chapa de Moro.

No evento desta sexta-feira no MDB, Ratinho Junior alfinetou a campanha de Sergio Moro, que tem pautado seu discurso por ataques ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É uma dupla (Greca e Sandro Alex) que vai transformar ainda mais o Paraná e vai acelerar tudo aquilo que nós conquistamos ao longo desses últimos anos. O nosso principal objetivo é melhorar a vida das pessoas. O objetivo desse time aqui não é destruir ninguém, não é destruir partido, não é ficar perdendo tempo com brigas institucionais, com brigas ideológicas. O Paraná vai continuar no caminho da união e da paz.”

Neste sábado (1º) será realizada a convenção do PL para confirmar a candidatura de Sergio Moro. O ex-juiz da Lava Jato já tem os apoios do Novo, do DC (Democracia Cristã) e do Podemos, comandado no estado pelo deputado federal Felipe Francischini (filho do ex-deputado bolsonarista Fernando Francischini).

Com a saída de Greca na disputa pelo governo, o cenário passa a ter apenas três candidatos com chances de chegar ao segundo turno, segundo as pesquisas de intenção de voto: além de Moro e Sandro Alex, o deputado estadual Requião Filho (PDT), que teve sua candidatura oficializada no fim de semana passado. Requião já tem os apoios de PT, PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade e dois candidatos ao Senado: a deputada federal Gleisi Hoffmann e o ex-deputado Dr. Rosinha (PT).


No dia 22 de julho, o partido Missão confirmou a candidatura de Luiz França ao Governo do Paraná , em Curitiba. Na convenção, João Adolfo, também do Missão, foi anunciado como candidato a vice-governador.

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