MDB do Paraná trava disputa por liderança em convenção partidária

Roberto Requião busca comando para ser candidato de oposição a Ratinho Junior; Anibelli Neto nega alinhamento para reeleição do governador

Guilherme Marconi - Grupo Folha
Guilherme Marconi - Grupo Folha

O MDB do Paraná elege nova direção estadual no próximo sábado (31) em convenção partidária que terá bate chapa entre o ex-governador Roberto Requião e o deputado estadual Anibelli Neto. Nas redes sociais, a campanha pelo comando do partido está a todo vapor. Isso porque a legenda no Estado está desde fevereiro com uma comissão provisória sob comando do deputado federal Sergio Souza, que é aliado de Ratinho Junior (PSD) e do governo Bolsonaro. 

 

Requião não esconde que o seu principal objetivo é reassumir o comando do partido para poder ser candidato em 2022 ao governo do Paraná em oposição à gestão Ratinho Junior. O ex-governador também acusa a outra chapa de querer o comando do MDB para poder formar apoio à reeleição do atual governador do Estado. 


Em entrevista à FOLHA, Anibelli Neto negou que seu principal objetivo seja o alinhamento a Ratinho Junior e disse que sua meta à frente do partido é tentar viabilizar a eleição de cinco a seis deputados estaduais e ao menos três federais. Atualmente, a legenda tem apenas dois deputados federais: Sérgio Souza e Hermes Parcianello; e dois estaduais: Anibelli e Requião Filho, que é filho do ex-governador. "O Requião tem um histórico que todo emedebista respeita, mas temos que construir um partido, esse é o nosso desafio. Não existe essa combinação de que Ratinho Junior será candidato, nem que Requião seja. Ele tem que ter mais humildade, MDB não tem dono", criticou o parlamentar, que encabeça a chapa "MDB de todos". 


 

MDB do Paraná trava disputa por liderança em convenção partidária
Dálie Felberg/Alep
 


Já Requião usa as redes sociais para tentar o comando da legenda e voltar ao Palácio Iguaçu para o quarto mandato. " O MDB está destruído porque nos últimos anos não teve direção. O que eles chamam 'MDB de todos' é o MDB do Ratinho, que está sendo vendido para o governo estadual e federal", acusou o ex-governador, que conduz a chapa "Sempre PMDB".  


Anibelli Neto rebateu e disse que Roberto Requião quer criar factoides. "Não é momento de discutir eleições majoritárias. Estamos a 15 meses do primeiro turno. O momento é de harmonizar o MDB, garantir a pluralidade. Percorrer o Estado, fortalecer o partido. Cada eleição está cada vez mais difícil, temos que trabalhar os candidatos. Temos 405 vereadores eleitos e muitos nomes que podem ser candidatos a deputados, temos material humano para poder trabalhar." 



DIVISOR DE ÁGUAS

 

Deputado Requião Filho
Deputado Requião Filho | Dálie Felberg/Alep
 


Para o deputado estadual Requião Filho a convenção partidária de sábado será um divisor de águas do MDB do Paraná. "Anibelli Neto pode até dizer que esse não é objetivo da chapa deles, mas temos informações de que é isso que eles pleiteiam. É a adesão total ao governo Ratinho Junior, incluindo indicar o vice-governador da chapa deles. Já nosso objetivo é claro: vamos para candidatura própria, o partido está sem diretório próprio em 208 municípios, isso não é aceitável. Política se faz com perspectiva de poder, e o MDB está se distanciando desse objetivo, sendo empurrado para fora, sem bandeira. Somos oposição a Ratinho Junior", pontuou o deputado. 


Se o MDB não viabilizar a candidatura de Requião no Estado, Requião Filho disse que o ex-governador buscará conversas como outros partidos como o PSB ou PDT para abrigar o projeto. Em entrevista recente à FOLHA, a presidente nacional do PT,  Gleisi Hoffmann, também adiantou que o partido deverá apoiar Requião no Paraná, além de garantir um palanque político ao ex-presidente Lula no Estado. Em 2018, Requião não conseguiu se reeleger para as duas vagas no Senado e ficou em terceiro lugar. O MDB já vinha sofrendo um processo de esvaziamento no Estado, com vários parlamentares e lideranças deixando a sigla por não concordarem com a forma do ex-governador conduzi-la. Sobrinho do ex-governador, João Arruda estava à frente do partido no ano passado, mas deixou o comando para disputar  a prefeitura de Curitiba. 

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