Israel Reinstein
De Curitiba
O regime ditatorial não poderá cair no esquecimento. Este foi o principal recado deixado ontem pelos homenageados com o Prêmio Heleno Fragoso pelos Direitos Humanos, concedido aos jornalistas Luiz Geraldo Mazza, Milton Ivan Heller e Walmor Marcelino pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Paraná. A premiação aconteceu exatamente no ano em que se comemora os 20 anos de Anistia e também do prêmio.
‘‘Uma nova geração está se formando, que desconhece o esforço dessas pessoas pela manutenção da democracia’’, afirmou o diretor-superintendente da Folha de Londrina/Folha do Paraná, advogado João Antônio Vieira.
Na avaliação do presidente da Ordem dos Advogados (seção Paraná), Edgard Luiz Cavalcanti, a iniciativa em premiar jornalistas, foi uma maneira de avivar os excessos cometidos durante o regime militar.
‘‘Coube aos profissionais de imprensa, com apoio da OAB, registrar estes fatos, salvaguardando a memória brasileira’’, lembrou o jurista René Ariel Dotti.
Para o advogado, foi a luta da imprensa de todo o País que acabou possibilitando a retomada do regime democrático. ‘‘O esforço de pessoas que mantiveram seus ideais, em um período em que não era possível, provocou a anistia’’, afirmou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wagner D’Angelis.
No entanto, o jornalista e colunista da Folha de Londrina/Folha do Paraná, Luiz Geraldo Mazza, entende que o grande ato que provocou o retorno da democracia foi um seminário promovido pela OAB Paraná, em 1978.
Para Mazza, a homenagem feita pela OAB do Paraná deve ser estendida a todos os profissionais da área que igualmente defenderam a democracia.

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