MAZZA
É a serenidade
Segundo João Dória, prefeito de São Paulo, ontem de passagem por Curitiba, a solução dada pela Câmara Federal à denúncia contra Temer foi, sobretudo, de serenidade. Como se sabe, a serenidade extrema é a morte. Foi uma avalanche, mas não um massacre, revelando que com esses números as reformas, como a da Previdência, não passam . Encomenda-se como saída uma reforma meia boca.
Esse é o raciocínio dos ajuizados: pior seria a continuidade do processo contra o presidente por agravar o cenário de caos que já estamos vivendo. Esse argumento, o da estabilidade, permeou a maior parte das justificativas de voto. Estabilidade com uma pinguela, como lembrou Fernando Henrique Cardoso, em lugar da ponte metafórica do manifesto do PMDB, não é lá algo compensador. Na bancada paranaense, a maioria ficou com o governo e isso não surpreendeu porque a prensa não foi pequena.
Agora, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em fim de mandato, promete enquadrar Michel Temer numa ação em que retrata o PMDB como quadrilha, certamente não aquela junina, e volta ao subjetivo argumento de obstrução da Justiça.
Rafael Greca, prefeito de Curitiba, tem argumento parecido com o do seu colega paulista: estaríamos muito pior especialmente no caso de repasses e convênios - se a catatonia tomasse conta de Brasília como decorrência do processo contra o presidente da República no STF. Mais uma vez o pragmatismo em cima de uma discutível estabilidade teve peso decisivo. Resta saber se há fôlego para encarar as novas investidas do Ministério Público e as consequências que delas advirão.
Mais pena
O momento sabidamente não é bom para a Lava Jato até mesmo nas decisões do STF que fogem à linha anterior quando o relator era o ministro Teori Zavaski. Além de tudo, a postura militante do ministro Gilmar Mendes com ataques seguidos ao procurador da República anima o proselitismo nessa direção, isso sem considerar a campanha da esquerda (prometendo um julgamento internacional de Sérgio Moro em Curitiba) em torno da inocência de Lula enroscado em seis procedimentos judiciais.
Apesar disso, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região tem dado sustentação à maioria das sentenças de Moro e até as ampliando consideravelmente como se deu com a de Zelada e, por essa razão, há a maior expectativa em torno da condenação do ex-presidente Lula. Nesse quadro, a vitória do presidente Michel Temer se insere como um elemento a mais na negação dos feitos positivos da Lava Jato e, por isso, o beneficiário posta-se, por incrível que pareça, como herói, salvador da classe política tida como "criminalizada".
Cassação
Cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral, prefeito e vice de Curiúva Natanael dos Santos e Luis Vantuil, ambos do PSC.
Contágio
Estar envolvido em práticas criminosas, já denunciadas, como a "Quadro Negro", operação de desvio de mais de R$ 20 milhões em edificações escolares, pode levar um indiciado, dentre os 18 ontem arrolados, à perda do cargo. Isso aliás pode não ter nada a ver com a demissão de Sergio Tochio, da pasta municipal de Meio Ambiente de Curitiba, até porque o ato já saiu há dias no Diário Oficial, e ele apareceu só agora na relação dos envolvidos na listagem do Gaeco.
Há gente do primeiro escalão de Beto Richa nesse processo amparada pelo privilégio de foro ou com investigação no STF e no STJ como se dá, aliás, com o governador em outras demandas como de caixa dois eleitoral. Nunca na história política do Paraná tivemos tantos casos de aberta corrupção evidenciada nesse processo e no da Publicano da gangue fiscal em que como líderes aparecem o primo, cada vez mais distante, Luis Abi e Marcio Albuquerque, condenado a mais de 90 anos e companheiro de aventuras automobilísticas do governador, pessoa da intimidade, portanto.
Ame-o ou deixe-o
Quem está instalado no exterior não pensa em voltar para o Brasil, ainda mais com a situação social tão esgarçada. Outro fato perturbador: a remessa de dinheiro do Brasil para os EUA passou de US$ 125 milhões no primeiro semestre do ano passado para US$ 408 milhões neste ano. O governo brasileiro apostou, no esforço para animar a economia, nos feitos da repatriação de recursos do exterior que da última feita decepcionou.
Folclore
O psiquiatra e docente Napoleão Lírio Teixeira, da cadeira de Medicina Legal na Faculdade de Direito da Federal, dá uma aula sobre fetichismo sexual. Cita peças da literatura como "a Pata da Gazela", Cinderela, para sugerir que a fixação do moçoilo pelo sapatinho tem essa conotação e assim por diante. Arrebatado, relata que há pessoas, doutores, que só sentem a plenitude do prazer sexual se a parceira estiver com uma calcinha de determinada cor. O aluno mais velho da turma, tomado pela catarse, dá o grito primal: "Preta, professor, preta!".





