Maurício Requião é eleito conselheiro do TC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 2008
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A oposição não conseguiu barrar a escolha do secretário da Educação do governo do Paraná, Maurício Requião, para a cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado, em substituição a Henrique Naigeboren, que se aposentou. Ontem, dos 54 deputados estaduais, 43 votaram a favor do nome do irmão do governador do Estado, Roberto Requião (PMDB). Nove integrantes da bancada da oposição optaram pela abstenção. O presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), só vota em caso de empate. Apenas um parlamentar não participou da eleição: Felipe Lucas (PPS), que não estava no plenário. Outros seis candidatos estavam inscritos para a vaga. Para vencer, o candidato precisaria de no mínimo 28 votos.
A escolha era esperada nos bastidores políticos, já que Maurício contava com o apoio da base aliada na Casa. Mas o número de votos obtidos pelo irmão do governador Requião surpreendeu até mesmo o líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB). Parlamentares que alegam adotar postura de oposição ao governador Requião, ontem foram a favor de Maurício. Optaram pela abstenção, como forma de protesto contra uma suposta imposição do governador Requião, os parlamentares Ademar Traiano (PSDB), Douglas Fabrício (PPS), Durval Amaral (DEM), Élio Rusch (DEM), Luiz Carlos Martins (PDT), Marcelo Rangel (PPS), Osmar Bertoldi (DEM), Plauto Miró (DEM) e Valdir Rossoni (PSDB).
A oposição tentou até o último instante barrar a realização da eleição. Na noite de terça-feira, o desembargador Jorge de Oliveira Vargas, do Tribunal de Justiça (TJ), suspendeu a eleição a pedido de um dos inscritos na disputa, o advogado Rogério Ribeiro. O advogado argumentava que o fato da votação ser aberta, e não secreta, poderia inibir os parlamentares da base aliada a votarem contra Maurício. Mas a liminar foi derrubada horas depois.
Justus disse que foi citado por volta das 8h30 de ontem, quando já agilizou uma outra ação contra a decisão. Por volta das 14 horas, o desembargador do TJ Paulo Hapner cassou a liminar, permitindo que a eleição fosse realizada ainda ontem.
Em entrevista após ser eleito, Maurício se esquivou sobre as críticas da oposição. ''Nem vi, nem ouvi''. Sobre o trecho da lei orgânica do TC que o impediria de julgar contas públicas por conta do seu parentesco com o governador, Maurício ressaltou que a questão já está sub judice. ''O receio de alguns é que eu faça uso político do cargo, o que é imoral. Eu não farei, tenho nojo de quem usa do poder de conselheiro para prejudicar alguém.''
Maurício argumenta que alguns temem seu nome no TC, daí a resistência. ''As pessoas temem a chegada de uma pessoa que no mínimo trabalhará de forma severa, ao estilo Requião, ainda que dentro das minhas limitações, pois sou apenas um humilde discípulo.'' A posse no TC, segundo ele, pode ocorrer na quarta-feira da próxima semana. O seu substituto na pasta de Educação ainda não estaria definido. ''É uma decisão do governador Requião. O meu desejo é que seja alguém da nossa equipe.''


