Maurício Requião continua afastado do TC
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sexta-feira, 03 de julho de 2009
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma decisão do juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Douglas Marcel Peres, impede o retorno de Maurício Requião ao Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Em despacho do último dia 2, o juiz acatou parcialmente, no mérito, a ação popular 52.203, proposta pelo advogado José Cid Campelo Filho. Maurício, que é irmão do governador Roberto Requião (PMDB) e ex-secretário estadual da Educação, estava afastado da cadeira de conselheiro do TC desde março, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou liminarmente a sua saída até o julgamento do mérito daquela ação popular. Com a decisão do último dia 2, Maurício permanece afastado do TC, mas ainda pode recorrer.
Maurício foi eleito para o TC em julho do ano passado pelo voto da maioria dos deputados estaduais e depois confirmado em decreto pelo governador Requião. Na decisão do último dia 2, o decreto foi considerado nulo. Segundo Campelo Filho, a ação popular foi motivada, entre outras coisas, por conta do parentesco de Maurício com o governador. Uma súmula antinepotismo editada pelo STF no segundo semestre do ano passado vedou a prática no nepotismo nos Três Poderes. Outro ponto mencionado pelo advogado diz respeito ao processo de votação que elegeu Maurício no Legislativo. Em casos de escolha de conselheiro para o TC, o voto deveria ser secreto. O argumento se sustenta na votação secreta para escolha de membro do Tribunal de Contas da União, pela Câmara Federal.
Contudo, o juiz não considerou tais argumentos. Sua decisão contrária a Maurício ocorreu porque a sua nomeação como conselheiro teria acontecido antes da vaga no TC ter sido aberta. Maurício entrou no lugar do conselheiro Henrique Naigeboren, que se aposentou.
Campelo Filho afirma que, embora a decisão seja a favor do afastamento de Maurício do cargo, ele vai entrar com um recurso questionando, entre outras coisas, a negativa do juiz em relação às questões de nepotismo e do voto secreto. A Reportagem não conseguiu contato com a defesa de Maurício. A assessoria de imprensa do TC informou que o órgão ainda não foi oficialmente comunicado da decisão e que não iria se manifestar a respeito.


