Maurício Marinho é demitido dos Correios
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Folhapress 
Brasília - Pivô da crise política que já dura quase quatro meses, o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho foi formalmente demitido ontem da estatal. Marinho foi flagrado em vídeo clandestino recebendo propina de R$ 3 mil em troca de supostos benefícios a fornecedores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Segundo nota divulgada à noite pelos Correios, a demissão por justa causa do funcionário decorre de sindicâncias internas ''e que comprovaram: Maurício Marinho realmente usufruiu de vantagens quando ocupava o cargo (de chefe do departamento de contratação e administração de material)''. A demissão só valerá, no entanto, quando vencer a licença médica em que Marinho se encontra desde maio.
Depois de atribuir o dinheiro que recebera de supostos fornecedores da estatal a um adiantamento por serviços de consultoria, o próprio Marinho confessou a propina. Em depoimentos ao Ministério Público, o funcionário dos Correios contou ter recebido ''aproximadamente'' R$ 20 mil entre setembro de 2004 e abril deste ano de quatro fornecedoras de materiais gráficos para os Correios.
A propina seria uma pequena parte do valor repassado ao PTB, partido dirigido então pelo deputado Roberto Jefferson (RJ). Em troca do dinheiro, as empresas pediam vantagens nos negócios milionários da estatal. Segundo Marinho, a cúpula dos Correios à época participava do esquema de pagamento das contribuições das empresas, que teriam beneficiado também o PMDB e o PT.
''Os acertos financeiros com os fornecedores da ECT envolviam toda a diretoria colegiada'', afirmou ao Ministério Público. Os então diretores dos Correios foram afastados dos cargos e respondem atualmente a processos a pedido da CGU (Controladoria Geral da União).
A reportagem tentou ouvir Maurício Marinho. Seu advogado, Sebastião Coelho da Silva, estava ocupado, no entanto, com a defesa de outro cliente: Sebastião Buani, o dono de restaurante do anexo da Câmara que confirmou ontem ter pago propina ao deputado Severino Cavalcanti (leia na página 5).


