Maurício denuncia novo caso de veto político
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
O deputado Maurício Requião denunciou ontem mais um possível caso de emenda vetada pelo Ministério da Saúde por motivos político-partidários. Segundo ele, o prefeito de Itapejara do Oeste, no Paraná, Leonardo Gritti (PDT), teve de pedir para que outro deputado da região e aliado ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Nelson Meurer (PPB), assumisse o pedido, negado pelas mesmas razões apontadas na fita apresentada pelo seu irmão, o senador Roberto Requião (PMDB), no plenário do Senado na última quinta-feira.
Gritti teria acertado com Maurício Requião uma emenda ao orçamento da União prevendo a liberação de R$ 64 mil para a construção e aquisição de um posto de saúde. Mas a proposta foi recusada. O deputado do PMDB conversou com Gritti ontem por telefone. Ele conta que o prefeito de Itapejara não soube precisar com quem falou no Ministério, há cerca de uma semana, mas desconfia pelo conteúdo do relato que foi também o chefe de gabinete interino do ministro, Marcelo Azalin.
Maurício diz que depois do telefonema de Gritti, o deputado Nelson Meurer o procurou em Brasília. Eu disse que não havia nada de mal o deputado assumir a emenda. O município não tem culpa da parcialidade política do governo federal, avaliou. A Folha tentou contato com o prefeito de Itapejara que, acuado, não quis se pronunciar. Um de seus assessores, o ex-prefeito Celito Bevilaqua (PMDB), evitou entrar no mérito da questão com medo de prejudicar o deputado Nelson Meurer.
Em nota enviada aos jornais, o irmão do senador Requião aponta ainda o município de Perobal, como outra vítima do suposto mercado de emendas. Talvez mais grave que o comércio de emendas sejam as liberações espontâneas do governo, com recursos extra-orçamentários e que dispensam a existência de emendas, critica Maurício Requião.


