O ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch afirmou, em seu depoimento ontem à CPI dos Bancos, que a decisão de conceder ajuda aos bancos Marka e FonteCindam foi tomada por unanimidade pela diretoria do BC. Segundo ele, foi uma decisão genérica, pois não se sabia que outros bancos poderiam estar em dificuldade. Segundo Mauch, com o banco que se confessasse em dificuldades o BC faria operação semelhante à que fez com os dois bancos.
O ex-diretor disse desconhecer se o ministro da Fazenda, Pedro Malan, foi informado das operações. Ao ser questionado sobre pejuízos causados pelas operações do BC na defesa do seu regime cambial, Mauch disse que a mesma forma de atuação foi adotada pelo BC nas crises da Ásia e da Rússia. Naquelas ocasiões, no entanto, segundo ele, o BC obteve ganhos, e quem apostou contra o real sofreu prejuízos. Sobre a suspeita de vazamento de informações do BC, ele disse que quanto mais houver surpresas e intervenções no mercado, mais alguém poderá falar em vazamento, mesmo quando o ganho for obtido em virtude de intuição e de outras razões.
Mauch afirmou que não existe discrepância entre o conteúdo de seu depoimento à Polícia Federal e as declarações feitas à PF pelo ex-presidente do BC Francisco Lopes. Tanto Lopes quanto Mauch negaram que tivessem negociado com o presidente do Banco Marka, Salvatore Cacciola, a venda de dólares ao Marka. Mauch disse que não recebeu pessoalmente Cacciola e que foi o pessoal da área técnica da sua diretoria que fez o levantamento para a operação.
Segundo Mauch, o que pode parecer discrepância desaparece quando se verifica que a operação foi aprovada por toda a diretoria do Banco Central. O ex-diretor fez essas afirmações em resposta ao senador Siqueira Campos (PFL-TO), que pediu a Mauch para fazer um relato sobre como foram as atividades no Banco Central no dia 14 de janeiro. Campos questionava o fato de ter havido muitas coincidências nesse dia, quando foi aprovada a operação de socorro do BC ao Banco Marka e anunciada a decisão de Mauch de deixar o cargo.

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