Mau momento, nada mais
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sexta-feira, 05 de outubro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Mau momento, nada mais
Como se já não bastasse o abalo causado à sua candidatura senatorial, vários partidos - o PSOL, o de Requião e o de Cida Borghetti - pediram a impugnação de Beto Richa como postulante e a justiça acolheu o pleito para julgamento. Uma carga pesadíssima como jamais havia ocorrido antes em nossas práticas políticas. Que mostra como a perda de majestade de um governante é suficiente para encaminhá-lo à destruição, ao arquivo.
Essa circunstância, a de tantos interesses em alijá-lo, poderia em condições normais ser um fator de resistência, já que não tem outra alternativa que não a de manter-se na disputa e fazer dessa etapa de sua história um esforço de reação. Percebe-se porém que o quadro é cada vez pior, como se já não lhe atormentasse a prisão do irmão mais velho e de companheiros mais próximos como Deonilson Roldo.
Uma contingência, enfim, apropriada ao heroísmo, se se dispusesse a enfrentá-la com todas as consequências imagináveis. Bastaria que vencesse a disputa senatorial, mesmo que com uma votação numericamente prejudicada, e teria dado uma resposta ajustada ao momento e mesmo que parecesse insuficiente revelaria uma dimensão ainda desconhecida, porque jamais posta à prova, de um político que habituado à euforia das vitórias não fraquejou no seu primeiro e mais duro mau momento.
Pior para o Brasil
O grau de radicalização a que chegamos na eleição presidencial coloca o caos como inevitável perspectiva mais próxima. É o que aparenta o horizonte, posto quer nele se insira, de forma surpreendente, o informe, uma chispa de arco-íris, do Datafolha de que 69% dos brasileiros preferem a democracia a regimes que a neguem. Não é a primeira vez que enfrentamos um cenário tão perturbador. Em 1960, sob o impacto da Guerra Fria, tivemos isso com a vitória de Jânio Quadros agasalhado em partido nanico, o Partido Trabalhista Nacional (aqui também fez a intervenção que faria de Paulo Pimentel o candidato irreversível de Ney Braga e que racharia o Partido Democrata Cristão), que detinha um histórico messiânico, com cuja renúncia ficamos a pique de uma guerra civil monitorada pelo general Machado Lopes, que não subestimou a resistência de Leonel Brizola e da brigada gaúcha e atuou pela concórdia na condição de comandante do Terceiro Exército onde se davam as operações pela posse de João Goulart.
Situação mais ou menos semelhante e anômala viria com a eleição de Collor, a primeira depois da ditadura, também sob acolhida de partido sem expressão, algo próximo da situação dominante atual, e que encontrou nas instituições elementos para voltar à normalidade. O que se indaga hoje é o seguinte: há condições para a normalidade ou essa, em qualquer dos casos das candidaturas hoje colocadas, é permeada de inclinações morbidamente golpistas?
Bombas
Depois do lançamento de coquetéis molotov em instalações da justiça eleitoral em São José dos Pinhais (imagens de câmaras detectaram a cena ), tivemos nesta sexta (5) a ameaça de bomba junto ao Terminal do Capão Raso. Esse micro-terrorismo parece valer-se do clima eleitoral e na dimensão do puro vandalismo.
Rebelião
Com mais de 29 horas de rebelião na Penitenciária de Maringá tivemos a liberação do agente penitenciário que estava sob sequestro e na sexta mesmo medicado. Como sempre, a atoarda reivindicatória dos insurretos coloca como prioridade a transferência dos presos, quase sempre do interesse de clãs do crime organizado. O fato é que o sistema, mesmo depois da passagem da Depen para a área de segurança, continua minado e a perspectiva, quanto às melhoras, é cada vez mais sombria. Se mesmo onde há segurança como a dos presídios tudo é precário a deficiência ganha capilaridade nas prisões distritais superlotadas.
Problema mal resolvido nem é lembrado na campanha eleitoral, que constata apenas que os governos se sucedem, em meio a tantas esperanças invocadas, que eles passam e os problemas permanecem.
Tradição
Tanto nas majoritárias como nas eleições proporcionais os partidos tradicionais como PSDB, MDB, PT, PSB e DEM vão ter papel importante no cenário que se seguirá à decisão do pleito presidencial. O MDB já mostrou pelo menos em duas vezes que disputou a presidência, tanto com Orestes Quércia como com Ulysses Guimarães, mesmo se saindo mal fez maioria no Congresso, governos estaduais e assembleias legislativas. É o que provavelmente se dará agora com o seu candidato Henrique Meirelles.
Folclore
Gerente regional da Coca Cola, George Kern era uma figura no meio social de destaque nos anos sessenta em Curitiba e obteve incrível façanha: a de ensinar a burguesia luminosa da praça a comer formigas, estabelecendo aí competição desigual com os tamanduás.


