Brasília - Após o pedido de afastamento do ministro Antonio Palocci (Fazenda), o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, encaminhou ontem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) carta colocando seu cargo à disposição. Ele depôs ontem na Polícia Federal, de onde saiu indiciado pelos crimes de violação de sigilos bancário (violação da lei de sigilo bancário nº 105/2001 cuja pena é de um a quatro anos de reclusão) e funcional (pena que varia de seis meses a dois anos de detenção).
A nova presidente da Caixa é a superintendente nacional de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais, Maria Fernanda Ramos Coelho, que é funcionária de carreira da CEF há 22 anos.
Mattoso admitiu ter pedido para assessores o extrato do caseiro Francenildo Costa, que desmentiu o ministro Antonio Palocci (Fazenda) na CPI dos Bingos. Palocci também passa a ser alvo da investigação da PF e deverá ser convocado para falar na segunda etapa do inquérito. Francenildo disse que viu Palocci na casa alugada pelos ex-assessores de Ribeirão Preto. A casa era usada, segundo a CPI, para negociatas entre lobistas e festas com prostitutas.
Na nota, Mattoso nega ter sido responsável pelo vazamento dos dados bancários de Francenildo. ''Não fui o responsável pelo vazamento da informação e estou convicto de que nenhum empregado da Caixa deu causa à divulgação indevida, atuando nos estritos limites da legalidade'', diz Mattoso.
Mesmo sem assumir a responsabilidade pelo vazamento, Mattoso informa que colocou seu cargo à disposição para ''resguardar a imagem institucional da Caixa'' e ''na certeza de que, ao final, tudo será devidamente esclarecido''.
O delegado da PF, Rodrigo Carneiro Gomes, disse que o depoimento de Mattoso foi ''corajoso, mas de alguém que estava arrasado''. Mattoso disse à PF que recebeu a informação que havia uma movimentação atípica na conta de Francenildo. Ele então pediu que se tirasse um extrato da conta. Ao receber o extrato, ele telefonou para Palocci para contar sobre a movimentação bancária de Francenildo. Mattoso disse à PF que entregou o extrato na casa de Palocci ''dentro de um envelope''.
Esse extrato, que foi repassado para a revista ''Época'', mostrou que a conta poupança do caseiro na Caixa recebeu R$ 25 mil em depósitos de janeiro até agora. O nome de Mattoso foi citado ontem no depoimento do consultor especial da presidência da Caixa Econômica Federal, Ricardo Schumann, que disse à PF que entregou o extrato do caseiro para o presidente da instituição.
O consultor teria dado a ordem para a emissão do extrato do caseiro para a superintendente Sueli Aparecida Mascarenhas, que por sua vez teria repassado o pedido para Jeter Ribeiro de Souza, gerente da Caixa. O sigilo do caseiro foi quebrado após seu depoimento à CPI dos Bingos. Ele afirmou à comissão ter visto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, várias vezes na casa alugada em Brasília pelos seus ex-assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto. A CPI suspeita que a casa era usada para negociatas envolvendo integrantes do governo e festas com prostitutas.

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