O pistoleiro Mendonça Medeiros da Silva, preso sexta-feira em Conceição do Araguaia (PA), chegou ontem de madrugada a Maceió, em um avião da Polícia Federal, sob a responsabilidade do delegado da Polícia Civil Paulo Brás, titular do inquérito que apura a morte da deputada federal Ceci Cunha (PSDB). Segundo Brás, o pistoleiro confessou sua participação na chacina e o envolvimento dos assessores do deputado Talvane Albuquerque como autores materiais do crime.
Em depoimento no sábado, em Marabá (PA), o pistoleiro disse que chegou ao local do crime, na noite de 16 de dezembro, dirigindo um Santana, que deu cobertura ao Fiat Uno usado pelos assessores de Albuquerque, Jadielson Barbosa, Alécio Cesar Alves e José Alexandre da Silva (o ‘‘Piaba’’). ‘‘No Fiat Uno estavam os três, mas acho que quem fez os disparos que matou a deputada foi o Zé Piaba’’, disse Silva.
Brás afirmou que Silva assumiu que deu fuga aos assessores depois que eles queimaram o Fiat. ‘‘Ele ficou no acostamento da rodovia, dentro do Santana, esperando, e disse que só viu o clarão do fogo’’, contou o delegado. Segundo ele, a Polícia tinha informações que Silva seria o autor do tiro que matou a deputada Ceci. Mas haverá acareação com os assessores.
Com base nas informações de Silva, a PF conseguiu um mandado de busca e apreendeu o Santana sábado à tarde na chácara do pai do deputado, em Arapiraca - a 142 quilômetros de Maceió. Segundo o superintendente da PF em Alagoas, Bergson Toledo, o carro foi comprado por Pedro Leão, que é casado com a ex-superintendente do INSS de Alagoas, Terezinha Albuquerque, irmã do deputado.
Segundo o superintendente, na casa do pai de Albuquerque foram apreendidos cartuchos de espingarda calibre 12. Além disso, a Polícia apreendeu duas pistolas 9 milímetros, que podem ter sido usadas na chacina. Uma das pistolas estava em Batalha, no sertão alagoano, onde moram os pais de Silva. A outra arma estava com um advogado, que a comprou de Zé Piaba. A espingarda 12, usada para matar Ceci, ainda não foi encontrada. A Polícia procura ainda os coletes à prova de bala, que Jadielson e Aécio compraram e disseram que enterraram em Arapiraca.
Com o depoimento de Silva, que foi acompanhado por um promotor de Justiça, o delegado Paulo Brás acredita que já tem praticamente todas as peças do quebra-cabeça para anunciar os nomes de todos os envolvidos. Só falta prender agora o chefe de gabinete do deputado Talvane Albuquerque, conhecido por ‘‘Werner’’. ‘‘Ele depositou dinheiro para os irmãos José e Joel Alexandre da Silva; portanto, também está sendo apontado como cúmplice dessa trama’’, afirmou o delegado.
Para concluir o inquérito, Brás quer realizar uma acareação entre Silva e os assessores de Albuquerque, com a participação também dos irmãos José e Joel. Jadielson e Alécio estão presos na PF de Brasília. Outro assessor, José Bezerra da Silva Junior, está preso em Maceió, no Tigre (Tático Integrado do Grupo de Operações Especiais, da Polícia Civil), onde estão os dois irmãos e mendonça Medeiros da Silva.
Ontem de manhã, Silva recebeu a visita do advogado de Albuquerque, Mac-Dawison Costa. O pai de Silva também esteve no Tigre, mas até o final da manhã não tinha tido acesso ao filho. ‘‘Isso é uma armação’’, disse Wilson Silva, que é filiado ao PPB e já foi três vezes vereador em Batalha. Na última eleição, saiu candidato a vice de José Miguel Rodrigues, irmão do deputado federal Luiz Dantas (PSD), mas perdeu. Wilson disse que seu filho foi cabo eleitoral de Albuquerque no Sertão, ‘‘mas depois da eleição acabou-se o compromisso dele com o deputado’’.
Em entrevista a uma rádio de Arapiraca, Albuquerque criticou o ministro da Justiça Renan Calheiros. ‘‘O ministro quer se manter no cargo às minhas custas: disse que ia desvendar esse crime em 72 horas e até agora não apurou nada, não tem prova de nada’’, afirmou o deputado, acrescentando que voltará a Arapiraca para rever os amigos e tomar sorvete na Sorveteria Pinguim. Com a morte de Ceci, Albuquerque assumiu a sua vaga na Câmara, já que era o primeiro suplente da coligação dela.Arquivo FolhaInteressadoDeputado Talvane: depoimento de pistoleiro complica ainda mais a situaçãoRicardo Rodrigues
Agência Estado

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