Marun nega chantagem, mas pede apoio de governadores beneficiados
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sábado, 30 de dezembro de 2017
Bruno Boghossian<br>Folhapress 
Brasília - Depois de cobrar "reciprocidade" de governadores beneficiados por financiamentos da Caixa, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) negou que haja chantagem na liberação de recursos públicos, mas afirmou que o Palácio do Planalto vai pedir apoio à reforma da Previdência "especialmente" de agentes públicos beneficiados por ações de governo.
Em evento de assinatura de contratos de quase R$ 1 bilhão em crédito do banco público nessa sexta-feira (29), o ministro chamou de "mentira" a reação de governadores que o acusaram de condicionar a liberação de financiamento à conquista de votos a favor do governo no Congresso.
"A verdade é que não está sendo condicionado, mas também é verdade que não vamos abrir mão de pleitear apoio dos agentes públicos brasileiros e especialmente daqueles que estão sendo beneficiados por ações de governo", disse Marun.
O ministro, que é o articulador político do Palácio do Planalto, reagiu com irritação às acusações feitas por oito governadores do Nordeste, que ameaçam processá-lo. "É como no nazismo, em que uma mentira que se repete à exaustão se transforma em verdade", afirmou.
Marun recuou de declarações feitas na última terça (26), quando disse que "o governo espera daqueles governadores que têm recursos a ser liberados uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência".
Nessa sexta-feira, o ministro afirmou que o governo não condiciona liberação de financiamentos, mas reclamou do que chamou de "uma cartilha do politicamente correto".
"Nessa cartilha, não cabe muitas vezes a verdade. Não cabe muitas vezes nessa cartilha a necessidade de se falar em gratidão. Mas cabe a hipocrisia", disse, em discurso ao lado do presidente da Caixa.
ALINHAMENTO
No evento, o Ministério das Cidades e o banco público assinaram contratos de financiamento de R$ 951 milhões para companhias de saneamento de quatro Estados.
Ministros destacaram que serão atendidos nove projetos em Pernambuco - cujo governador, Paulo Câmara (PSB), é um dos signatários de uma carta que ataca Marun.
O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, se esforçou para encerrar a polêmica. "A prova está aí. Ninguém está condicionando nada, vocês estão vendo aqui. Não tem essa posição para ninguém e nunca recebemos de ninguém condicionamento do Palácio do Planalto", afirmou.
Apesar da mudança de tom de Marun, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), reforçou o discurso de que os agentes políticos precisam agir com "reciprocidade" em relação ao Palácio do Planalto.
FPM
O Palácio do Planalto informou nessa sexta-feira (29) que o presidente Michel Temer assinou uma medida provisória que libera R$ 2 bilhões da União para municípios que recebem recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e estão com dificuldades financeiras emergenciais. A verba será transferida aos entes no exercício de 2018 e, segundo a MP, deverá ser aplicada preferencialmente nas áreas de saúde e educação.


