Martinez ameaça PBT do Paraná
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segunda-feira, 29 de abril de 2002
Maria Duarte Equipe da Folha 
Curitiba - A relutância de boa parte das lideranças do PTB no Paraná em apoiar a pré-candidatura do senador Alvaro Dias (PDT) ao governo do Estado, como manda a verticalização, pode provocar uma intervenção no diretório estadual. A ameaça é do presidente nacional do PTB, deputado federal José Carlos Martinez.
O recado de Martinez irritou a bancada que dá sustentação política ao governador Jaime Lerner (PFL), adversário de Alvaro, e provocou a reação do presidente estadual, deputado estadual Valdir Rossoni, que quebrou o silêncio ontem. A reação de Rossoni veio uma semana depois de o dirigente ter defendido lançamento de candidatura própria, o que não obrigaria o partido no Paraná, pelo acordo firmado entre as cúpulas nacionais do PTB e do PDT, a apoiar o projeto de Alvaro.
O presidente estadual ficar de bate-boca com o presidente nacional não é oportuno. Não é que não queremos coligar com PDT, mas a forma como ele (Martinez) está colocando as coisas desrespeita o diretório estadual, declarou Rossoni.
Rossoni disse ainda que se submete ao poder absoluto de Martinez sobre o partido. O deputado afirmou que não é necessário fazer reunião da bancada local. Reunião para quê? Reunião do que já está decidido?, protestou. A Frente Trabalhista (PDT-PTB-PPS) foi firmada em acordo ainda não oficial em Brasília, e precisa ser confirmada em convenções nacionais.
Um dos pontos de atrito é que os deputados do partido têm recebido do governo recursos para seus redutos eleitorais e não querem abrir mão disso. Uma adesão à campanha de Alvaro Dias significaria um rompimento com o Palácio Iguaçu. Recentemente, durante cerimônia de liberação de verbas na região de Rossoni, Lerner se hospedou na casa do deputado, em Bituruna (71 quilômetros a Oeste de União da Vitória).
A Folha procurou Martinez, mas o deputado não retornou as ligações. Num programa da CNT, emissora de sua propriedade, Martinez manteve o tom de ameaça aos companheiros de partido. Avisou que, com o fim da candidatura nata, os deputados terão que seguir as diretrizes petebistas, ou podem ter problemas nas convenções. Se o apoio a Alvaro for oficializado, segundo Martinez, o pacto terá que ser obedecido. E tem dito que não quer ver o partido rachado durante a campanha.


